A entrada das mulheres no ambiente das motocicletas conferiu delicadeza ao trânsito bauruense. Comedidas, cautelosas e precavidas, elas se distinguem dos homens quando estão comandando os guidons das motocicletas.
“O comportamento das mulheres é o mais adequado. Não existe excesso quando o assunto é cautela”, aponta o tenente-coronel Benedito Roberto Meira, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI).
A diferença na conduta também é notada pelos homens. O entregador e motociclista Everton Carli, 28 anos, avalia que o comportamento das mulheres e dos homens são distintos ao conduzir uma moto. “A mulher é mais cuidadosa, presta mais atenção no trânsito. É raro ver acidentes envolvendo mulheres. Elas são delicadas para tudo. Outro dia, tinha uma moça estacionando a moto na vaga e eu estava esperando para colocar a minha ao lado da dela. Ela parou, tirou o capacete, ajeitou o cabelo, passou batom, checou se estava tudo certo e só depois me deu lugar para parar”, brinca.
Meira aponta que a cautela natural das mulheres deveria ser tomada como base por todos os pilotos de moto. “Grande parte dos homens é muito abusada, muito expansiva. Isso não é bom.”
A instrutora de auto-escola Elaine Cristina Pereira, 26 anos, aponta a disparidade no comportamento de homens e mulheres já na fase de aprendizagem. “Quando eles estão tirando carta é possível perceber que as mulheres são mais medrosas, isso facilita, é preventivo. Já os homens chegam aqui com uma bagagem, muitos apreenderam a pilotar com os pais. A autoconfiança deles muitas vezes atrapalha.”
Paulo Rogério Lares, gerente de uma revendedora de motos, aponta diferença também na conservação dos veículos de homens e mulheres. “A moto feminina é bem mais conservada. A mulher tem mais cuidado na hora de andar e dá manutenção freqüentemente, por isso o veículo quase não apresenta problemas”, indica.
Outro fator analisado por ele é a questão relacionamento. “As mulheres são detalhistas, meticulosas, mas não se intrometem no que não sabem. Quando você diz que o problema da moto é aquilo, elas aceitam e confiam em você, são compreensivas. Não generalizando, mas muitos homens acham que entendem mais que o mecânico”, analisa.