Tribuna do Leitor

Carteiro disléxico


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Dislexia – Distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área de leitura, escrita e soletração. Seu maior sintoma se caracteriza pela inversão da ordem de números e letras. Acho que o carteiro que entrega correspondências em minha rua é meio disléxico. É uma analogia talvez imprópria, mas que se encaixa na situação que irei descrever.

Pelo menos três vezes na semana ele coloca cartas de outro endereço em minha caixa de cartas. E geralmente são correspondências endereçadas à casa vizinha. Os números até são parecidos. O meu é 4-115 e o dela é 4-125, porém, tanto em minha casa quanto na dela tem, na fachada, em tamanho “homérico”, os números referentes às residências e acho praticamente impossível não serem vistos e diferenciados. Tendo em vista que ele é funcionário público e que certamente passou em concurso público, me pergunto: como pode ter passado em concurso público se não sabe diferenciar números, ordens numéricas ou se não sabe ler?

Ou então só pode ser a tão famosa pressa. “Deixa” todas as correspondências na minha caixa de cartas, até as cartas da vizinha, para não ter o trabalho de chamá-la ou jogar as correspondências pelo portão da casa dela (ela não tem caixa de cartas). Talvez ele tenha medo da pequena e velha “vira-latas latidora” que ela tem. Um pulo da pobrezinha alcança pouco mais de um metro...Mas, sinceramente, o que eu tenho a ver com isso??? Ele que dê outro jeito de entregar as correspondências dela, oras !!!

Acho que, se eles têm sobrecarga de trabalho, se tem horários apertados para fazer suas entregas, se tem salários insuficientes ou se não estão dando conta, façam greve, lutem, façam valer suas reclamações e direitos a seu modo, porém não descontem em quem nada pode fazer, não façam pagar pelas suas insatisfações aqueles que não tem nada a ver com isso. O carteiro é pago pra entregar cartas corretamente. Eu não. E sou eu que quase todo dia tenho que pegar as correspondências que ele deixou incorretamente em minha caixa de cartas e entregar á vizinha...Vou começar a pedir “comissão” por estar realizando o serviço dele. Ou então vou começar a devolver aos Correios e “dar nome aos bois” e fazer ele pagar o álcool que eu irei gastar para ir até a agência devolver as cartas que ele entregou errado...Quem sabe assim ele não fica mais “esperto” e começa a ver os números corretamente.

Não tem problema algum eu entregar as cartas que ele deixa errado para a minha vizinha, não me custa absolutamente nada, mas acho desaforo. Acho uma transferência de responsabilidade isso. E não são eventuais. São constantes e tudo o que é constante, cansa. Ela até já sabe que quando alguém aqui de casa toca o seu interfone é para isso: entregar suas correspondências.

Mas de tudo isso o que mais me chateia, de verdade, é que tem tanta gente querendo ter um cargo público, estudando, ralando, correndo atrás de passar em concurso e quem já tem o seu cargo público, nem sempre dá o devido valor...

Fabiane de Almeida Prado

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