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Caps estimula prazer pelo aprendizado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Um projeto pioneiro, desenvolvido pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Infantil em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), está transformando a vida de crianças entre 8 e 12 anos com dificuldades de aprendizagem na escola. Por não conseguirem acompanhar as aulas, além de não se alfabetizarem, os pequenos enfrentavam o preconceito dos colegas de classe e, muitas vezes, até mesmo dos professores.

Como resultado, elas passam a rejeitar a vivência escolar e, assim, o ciclo vicioso se firmava. Em razão do crescente número de queixas das mães desses alunos, o Caps Infantil - entidade originalmente idealizada para tratar crianças com transtornos mentais graves - implantou o Projeto de Psicologia da Educação. Em parceria com a Unesp, a iniciativa é desenvolvida pelo segundo ano consecutivo com resultados que saltam aos olhos.

É o que relata, por exemplo, Kátia Regina Traci, mãe de uma criança de 8 anos que, segundo ela, não queria ir à escola “de jeito nenhum”. “Hoje, depois de cinco meses no projeto, ela adora ir à escola. Ainda não consegue ler e escrever sozinha, mas o relacionamento com os professores, a auto-estima, a vontade de aprender, tudo melhorou muito”, revela.

Conforme explica a professora do Departamento de Psicologia da Unesp, Marisa Meira, a proposta do projeto, desenvolvido no Caps Infantil com o auxílio de três estagiárias do curso de psicologia da universidade, não é contornar as dificuldades da criança através de um diagnóstico clínico, mas por meio de análise do meio social e psicológico em que ela está inserida.

“Nosso grande desafio é compreender esses obstáculos no processo de escolarização e promover ações para que se dê esse encontro entre as crianças e o conhecimento que a escola veicula”, resume. As sessões são promovidas semanalmente com um grupo de dez mães e dez crianças no prédio do Caps Infantil, por duas horas, durante um ano.

Enquanto duas estagiárias e uma psicóloga realizam dinâmicas para que as crianças compreendam a função social do conhecimento, outra estagiária dialoga com as mães para transformá-las em potencializadoras do desenvolvimento dos filhos. A intenção, em curto prazo, é envolver no processo de redescoberta do prazer pelo aprendizado escolar também os professores das escolas estaduais e municipais em que os alunos estão matriculados.

“Fazemos visitas nas casas dessas crianças e já temos contato com os professores nas escolas. Mas queremos organizar reuniões com os educadores também no Caps para um momento maior de reflexão”, acrescenta Marisa, que também é supervisora do estágio de Psicologia da Educação da Unesp.

Resultado imediato

Coordenadora do projeto no Caps Intantil, a psicóloga Marilza Francisco Ramos conta que esta é uma proposta inovadora em sua abordagem metodológica e didática, baseada nas teorias de pensadores modernos como Lev Vygostky e Alexei Leontiev. Os resultados, segundo ela, são quase imediatos. “Ao longo dos meses, essa criança se transforma e a família também. Há uma mudança significativa quanto à auto-estima, motivação e crença na capacidade de aprender”, comenta.

No entanto, de acordo com a psicóloga Vera Lúcia de Paula, diretora da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, a demanda de crianças com conflitos no processo de aprendizado escolar é uma das maiores do Caps Infantil e o número de vagas oferecidas no projeto ainda é insuficiente. “Infelizmente, nosso espaço é reduzido. Mas essa possibilidade de atender a real demanda da cidade acaba sendo enriquecedora. Embora as crianças do projeto não tenham transtornos graves, elas também sofrem com os problemas que enfrentam na escola”, pondera.

Há um ano e meio participando do projeto com a filha de 8 anos, Alessandra Demétrio Martins conta que a menina era quieta e, muitas vezes, chegava a dormir em sala de aula. “E a professora não fazia nada. Como a minha filha não aprendia, ficava excluída na classe. No começo, a resistência em trazer ela para o Caps foi grande, mas foi a melhor coisa que eu poderia ter feito por ela”, aponta.

A próxima turma do Projeto de Psicologia da Educação do Caps Infantil será iniciada em março de 2010. Os interessados devem procurar o prédio da unidade, situado na rua Gérson França, 9-42, no Centro, de segunda a quinta-feira, das 8h às 10h.

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Passeata

As mães que participam do Projeto de Psicologia da Educação do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Infantil formaram um grupo, denominado “Mães pela Educação” e, no próximo dia 12 de dezembro, realizam uma passeata para conscientizar a população sobre a necessidade de revisão das políticas públicas voltadas para a educação. De acordo com a estagiária do projeto Larissa Bulhões, aluna curso de psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), uma das principais queixas das mães de crianças que enfrentam dificuldades na escola refere-se à implantação do sistema de progressão continuada, prática pedagógica que não reprova os alunos, mesmo que não tenham assimilado os conteúdos aplicados em sala de aula.

“Esta manifestação marcará o início deste movimento de mães, que estão muito motivadas e envolvidas com o projeto”, salienta. O protesto terá início na Praça Machado de Mello e percorrerá as quadras do Calçadão da Batista de Carvalho, com concentração final na Praça Rui Barbosa.

Mais informações podem ser obtidas no blog do projeto, no endereço www.es colarbauru.blogspot.com.

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