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Como realizar o segundo casamento no maior estilo

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 7 min

Casar pela segunda vez pode gerar discórdia. Afinal, tem gente que não concorda que a cerimônia seja novamente na igreja, que a noiva se case mais uma vez de branco, que os convites sejam nos moldes de quem celebra a união pela primeira vez e que a festa tenha uma produção de dar inveja.

Com certeza, a lista de contras é bem maior do que os exemplos citados e, por isso, muita gente desiste de realizar a comemoração por conta do falatório. No entanto, não é preciso radicalizar e deixar o sonho de lado com receio dos comentários maldosos. Quem garante isso é a consultora de casamentos e eventos Marcia Possik, diretora da Marriages Assessoria, empresa especializada em organização de casamentos e eventos.

“O importante é celebrar este dia especial com carinho e se divertir”, afirma. A especialista preparou um manual com algumas regrinhas de etiqueta para quem deseja subir ao altar pela segunda vez e evitar pagar micos. Confira a seguir.

• Casar de branco

Segundo Marcia, hoje em dia não é nenhum escândalo quando uma pessoa divorciada decide se casar novamente. “Nada de não casar de branco ou de viver escondido, como nos tempos do desquite”, diz. Para ela, quando duas pessoas decidem dar uma segunda chance ao matrimônio, elas têm o direito de celebrar sua união com a família e os amigos como se fosse a primeira vez. “Você já pode ter sido casada, mas não com esse noivo.”

• Civil ou igreja?

Caso o primeiro casamento tenha sido somente no civil, a consultora de casamentos garante que os noivos podem fazer a cerimônia religiosa com tudo o que eles têm direito. Mas se um dos dois já foi casado no religioso, a coisa muda de figura. “Os padres católicos romanos, por exemplo, são proibidos de fazer o casamento de pessoas divorciadas, uma vez que o sacramento é ‘até que a morte os separe’”, explica. Caso queria uma bênção, a sugestão de Marcia é chamar um pastor ou um juiz de paz. “Uma cerimônia discreta com uma bênção pode até ser feita no mesmo local da recepção (um salão de festas ou em um clube). No convite, a dica é que os nomes dos noivos venham à frente do nome dos pais.”

• Filhos e ex-companheiros

Quando o casal já mora junto e tem filhos, as crianças podem entrar como daminhas ou pajens, “desde que tenham idade para isso”, avisa a especialista. Caso os filhos sejam do primeiro casamento de um dos noivos, Marcia avisa que a situação dependerá da relação com o ex-marido ou ex-mulher. “Cuidado para não magoar ninguém. Se existe uma convivência pacífica com os ex, eles podem ser convidados para o casamento, mas isso não é obrigatório”, acredita.

• Lista de presentes

Por fim, talvez o assunto mais constrangedor. Segundo Marcia, o casal pode fazer lista de presentes se quiser, mesmo que já more junto. “Para começar uma nova fase, nada melhor do que coisas novas. Mas lembre-se que é muito deselegante colocar no convite onde está a lista de presentes.” A sugestão é deixar as mães e os amigos próximos avisados do local onde está a lista. “Assim, quem quiser presentear pode perguntar sem ficar constrangido.”

Titulo: Para casais da terceira idade, altar se torna o destino certo

Olho: Histórias de amor incluem troca de bilhetes, juras, viagens de lua-de-mel e até mesmo participação de ‘cupidos’

“Quando fiquei viúva, no dia 1 de janeiro de 2001, pensei que a vida tinha acabado para mim”, diz Cidinha Oliveira, 64 anos. Ela chegou ao ponto de recorrer à ajuda de terapias psicológicas para encontrar um sentido para a vida. E foi durante essas sessões que se sentiu encorajada a freqüentar bailes e serestas. Era uma forma de se manter ocupada, conhecer novas pessoas, fazer novas amizades e, quem sabe, encontrar um novo amor, uma nova razão para voltar a viver intensamente.

Cidinha conta que uma bela manhã, uma amiga lhe entregou um papel com o número de um telefone anotado. De início, achou que se tratava do contato de alguma amiga que queria convidá-la para sair. “Se for isso, desista”, disse para a amiga que lhe entregou o papel.

Ela levou o papel para casa e deixou em um cofrinho junto com as moedas que havia recebido de troco na padaria. No outro dia, a amiga perguntou se ela tinha ligado. Quando disse que havia guardado em um cofre junto com as moedas ouviu o seguinte alerta: “Você vai se arrepender”.

Os dias se passaram, o cofrinho encheu e ela decidiu contar quanto tinha de dinheiro ali. Foi quando viu novamente o tal papel. Sem pensar duas vezes, pegou o papel e foi ligar. Do outro lado da linha ouviu uma voz de homem. Assustada, desligou o telefone na hora.

Cidinha procurou a amiga e contou a ela o que tinha acontecido. Foi aí que ela ficou sabendo que se tratava de um viúvo de 73 anos, Adelino Leão, que estava “perdido” na vida como ela. Três dias mais tarde, Cidinha voltou a ligar. Ouviu outro “alô” forte e desligou. Fez isso durante cerca de 20 dias. Decidiu que não ligaria mais, mas faria uma última tentativa.

Desta vez, ao invés de um “alô”, o homem do outro lado da linha pediu para que ela não desligasse o telefone. Cidinha atendeu ao pedido. Nascia ali um caso de amor entre dois viúvos, que se imaginavam “mortos” em termos de sentimentos. “Finalmente, encontrei alguém que me traria de volta à vida”, afirma.

Desde então, o relacionamento entre eles tem ficado cada vez mais sério, a ponto dos dois terem firmado o noivado, recentemente.

Da mesma forma, Vicente Aielo, 72 anos, e Sueli De Tillio, 60 anos, estão bem encaminhados para enfrentar o altar. Ambos viviam solitários até que se encontraram no Museu Histórico Ferroviário, onde ele trabalha.

Vicente conta que desde o início houve uma empatia entre eles. Marcaram encontros em Bauru e em Jaú, onde mora Sueli, e o comprometimento entre eles foi aumentando. Depois de dois anos e meio de namoro, decidiram viajar juntos para o Nordeste. Escolheram a cidade de Natal (RN) como cenário. Embora não tenham se casado ainda, Vicente revela que foi uma lua-de-mel antecipada. “Foi um deslumbre”, alegra-se.

Apesar de dizer que o “futuro pertence a Deus”, ele revela que “não quer enganar a moça” e pensa seriamente em casamento. A idéia é deixar Bauru e ir morar com a nova esposa em Jaú, onde nasceu a avó dele.

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Mentalidade tem mudado mais entre as mulheres

Para a psicóloga Gislaine Aude Fantini, coordenadora da Universidade Aberta a Terceira Idade (Uati), ligada à Universidade do Sagrado Coração (USC), é importante que as pessoas da Terceira Idade encontrem alguém com quem dividir seus momentos tristes e alegres.

Segundo ela, quando se tem uma companhia para o lazer e as atividades físicas, entre outras opções que a vida oferece, mais estimulada a pessoa se sente.

Nesses 16 anos trabalhando com o envelhecimento, Gislaine diz ter notado que as pessoas estão mais abertas a um novo relacionamento emocional. Isso porque, na avaliação dela, o preconceito tem diminuído entre os mais velhos. Ela conta que essas pessoas estão se cuidado mais, em todos os aspectos, e isso tem influenciado diretamente na auto-estima deles. “Como conseqüência, as pessoas estão vivendo melhor”, afirma.

Segundo a psicóloga, as mudanças estão ocorrendo com mais rapidez entre as mulheres. Nos homens, a transformação está se dando de forma mais lenta. “Os homens também estão procurando se libertar dos tabus, mas numa parcela menor”, avalia. Na opinião dela, isso tem a ver com aspectos culturais, com a visão machista que ainda prevalece na sociedade.

“Mas estamos num período de transição”, frisa. “Antes, quando falávamos de uma mulher de 50 anos, imaginávamos uma velha. Hoje, isso mudou. Elas estão se cuidando mais. Tem mulheres de 60 anos curtindo a vida com saúde e belas.”

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