Era entrefechada rosa e entreaberto botão,
Mas não sabia que balançava o meu coração.
Introvertida, delicada e muito inteligente,
Teve a educação espartana, com pai ausente.
Tinha sangue europeu, mas olhos de gueixa,
Ela aceitava o destino, sem nenhuma queixa.
Na Rodrigues Alves, quadra 7, ela morava,
Uma escola perto de casa ela freqüentava.
Os livros tal qual uma traça ela devorou
E seus estudos pouco a pouco sedimentou.
Então resolvi lhe contar toda a verdade,
Depois de longos anos de sólida amizade.
Tentei ocupar o centro do coração dela
E tudo mudou: não quis meu amor por ela.
Um coração que está cercado de puro aço,
Para ganhá-lo não sei mais o que eu faço.
Na vida eu sou um homem que muito a amou,
Ela nem quis saber, me rejeitou, me renegou.
Sempre longe dela: esta foi sua decisão,
Segue sozinha, o meu coração na solidão.
Gustavo Mancini Ramalho