Economia & Negócios

Bloqueio de celular divide PM e Civil

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Muita gente não sabe, mas ao perder ou ter o celular furtado ou roubado é possível não só bloquear o chip, como também o aparelho, para que não ocorra habilitação em número. A informação está sendo repassada em um e-mail com o título: “Se roubarem teu celular, sacaneie o ladrão”. Mas, é importante bloquear o aparelho celular? A reportagem do JC entrou em contato com as polícias Militar e Civil, que têm posições distintas sobre o assunto.

O comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.ºBPM-I), tenente coronel PM Benedito Roberto Meira, afirma que bloquear o aparelho celular roubado ou furtado é ideal. “A maioria dos celulares hoje é pré-pago e bloquear o chip é interessante, mas a ação importante é o bloqueio do aparelho. Assim, há o desestímulo das pessoas em comprarem aparelhos produtos de ações criminosas. Além disso, a própria ação do roubo ou furto pode diminuir se todos passarem a bloquear os aparelhos”, explica.

Meira cita como exemplo a queda de atos criminosos em caixas eletrônicos após a mudança de horário e da rotina dos bancos. “Eles mudaram de postura, limitaram o saque e os horários. Foram ações que ajudaram na diminuição dos índices de roubo e furto. Quando você detecta o problema e consegue encontrar uma solução ou uma alternativa para diminuir e desestimular, a tendência para esse tipo de crime é cair”, revela.

Mas, para a medida, há um obstáculo, conta o comandante: “O grande problema é que as pessoas precisam do número do aparelho para efetuar o bloqueio e muitas não sabem onde conseguir ou até mesmo desconhecem a possibilidade”, complementa.

Por outro lado, Benedito Antônio Valencise, delegado Seccional, conta que os policiais civis orientam as vítimas a não bloquear o aparelho celular. “Atualmente, dispomos de tecnologias e uma série de providências que podem ser adotadas, que possibilitam identificar o autor do roubo ou do furto. O bloqueio impede a realização das investigações”, afirma.

Segundo o delegado, a orientação serve também para cartão de crédito. “Quando a providência é tomada de imediato, logo após o ato, a vítima pode avisar a empresa fornecedora do cartão, que passa a acompanhar as transações online”, explica Valencise. “Assim, há possibilidade da prisão em flagrante. Inclusive, já esclarecemos vários crimes de sequestro por meio do aviso a empresa fornecedora do cartão ao invés do cancelamento. Quando essas providências são tomadas, a vítima não tem que pagar nenhuma conta que foi feita após o roubo ou furto”, acrescenta.

bloqueio

Para bloquear o telefone móvel, algumas operadores exigem não somente os dados pessoais, mas ainda o Imei (International Mobile Equipment Identity), que é o número de série do telefone, e o boletim da ocorrência policial.

Segundo o texto que está circulandona rede mundial, para obter o Imei basta digitar *#06#. Mas, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), para cada marca existe um código a ser digitado para visualizar o número de série na tela do celular.

De acordo com o órgão, o cliente tem direito a este serviço, mas deve apresentar a documentação exigida. O Imei também pode ser encontrado na Nota Fiscal do aparelho, na caixa ou no próprio telefone, embaixo da bateria.

Quando há o bloqueio, os dados do telefone são incluídos no Cadastro de Estações Móveis Impedidas (Cemi). Além disso, a Anatel recomenda sempre entrar em contato com a Central de Relacionamento da operadora quando houver roubo ou perda do celular.

Por meio de nota da assessoria de imprensa, a operadora de celulares Claro informou que, em caso de roubo, furto ou perda do aparelho celular, o cliente deve entrar em contato imediatamente com o Serviço de Atendimento ao Cliente da Claro, discando pelo 1052 de qualquer telefone Claro ou telefone fixo, e solicitar o bloqueio da linha telefônica.

A operadora informou que existe, ainda, a possibilidade de solicitar o bloqueio do aparelho celular a partir do número do IMEI do equipamento, o que permitirá a sua inclusão no CEMI. Mas, esta medida só será implementada mediante apresentação do boletim de ocorrência e evitará que o aparelho funcione, caso se tente reabilitá-lo com outra linha.

A operadora recomenda que o cliente guarde a Nota Fiscal de compra e a caixa do aparelho, onde consta o número do IMEI do aparelho.

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