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População ainda aposta no casamento

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

“É impossível ser feliz sozinho”, já dizia o maestro Antônio Carlos Jobim em uma de suas composições mais famosas. Escrita nos anos 60, a estrofe da canção “Wave” permanece atual entre os brasileiros, a despeito de muita gente acreditar que vivemos em um mundo dominado pelo individualismo. A cada ano que passa, mais e mais casais apostam no matrimônio.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados ontem, apontam um crescimento constante na quantidade de casamentos em todo o País. Segundo a pesquisa, em 2003 foram registrados 1.807 matrimônios em Bauru, contra 2.328 em 2007. Ano passado, esse número subiu para 2.378.

A cidade acompanhou a tendência verificada na pesquisa nacional. Os dados apontam que, no ano passado, ocorreram 959.901 casamentos em todo o Brasil, enquanto, em 2007 foram realizados “somente” 916.006.

De acordo com o estudo, a quantidade de divórcios oscilou bastante na cidade no período em questão: foi de 523 em 2003; caiu para 330 em 2004; alcançou o topo de 636 em 2006 para tornar a decrescer, desta vez para 540, em 2007. Ano passado, foram “apenas” 452, segundo menor índice da série histórica.

Na opinião da psicóloga Maria Lúcia Bien, atualmente as pessoas casam-se (e separam-se) rápido demais. “Uma relação amorosa tem de ser uma via de mão dupla. Cada um tem de abrir mão de determinadas coisas em favor da felicidade conjugal. O problema é que, nos dias de hoje, vivemos uma época marcada pelo individualismo. Quando os contratempos surgem, os casais preferem simplesmente se separar, em vez de buscar uma solução pelo diálogo”, afirma.

Segundo ela, nos dias atuais as separações conjugais são encaradas com mais normalidade pela sociedade. “Antigamente, a pessoa divorciada sofria preconceito no meio em que vivia”, explica Bien.

Para a psicóloga, o fato de o casamento (instituição cuja morte definitiva já foi decretada um sem-número de vezes pelos opinólogos de plantão, nas últimas décadas) estar em alta entre os brasileiros reflete o desejo que as pessoas têm de serem felizes. “O homem é um ser social e precisa daqueles que o cercam para alcançar a satisfação”, afirma.

Mais de dois séculos atrás, o político norte-americano Thomas Jefferson já havia afirmado essa verdade evidente por si mesma - de que a busca da felicidade é um direito inalienável de todo ser humano.

Se essa felicidade está no casamento, quem será capaz de dizer? Porém, a se julgar pelas movimentações do mercado, é possível dizer que o matrimônio continua sendo sinônimo de satisfação pessoal em nossa sociedade.

O bauruense Mário Quatrina, proprietário de uma empresa especializada em decoração e cerimonial de casamentos, afirma já ter pelo menos 20 clientes agendados para 2011. “Temos de acreditar no casamento, pois isso é a melhor coisa que pode acontecer a uma pessoa - desde que, é claro, ela consiga encontrar o parceiro certo”, afirma.

No bufê do bauruense Leonardo Amantini Maronezi, a movimentação também é intensa. “De uns quatro anos para cá, o casamento parece ter voltado com força total”, pensa ele. Atualmente, ele tem clientes agendados até para maio de 2012.

“Acho que as pessoas têm procurado segurança no matrimônio. Ninguém mais se casa obrigado. Pelo que tenho tido a oportunidade de acompanhar, os casais estão bastante conscientes quando optam pela união conjugal”, diz Maronezi.

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‘Vale a pena investir no matrimônio’, afirma noivo

O bauruense Anderson Vinícius Rodrigues Câmara, 24 anos, está com casamento marcado para março do ano que vem. Ele namora há um ano e oito meses com a operadora de crédito Karen Soares da Silva, 20 anos. Na opinião dele, que trabalha como assistente jurídico, ainda vale a pena apostar no matrimônio.

“Quanto mais o tempo passa, vejo que nosso sentimento se fortalece. Hoje em dia, muita gente só pensa em curtir a vida e não quer nem saber de ouvir falar em compromisso. De minha parte, prefiro acreditar no casamento. Depois que você forma uma família, sua vida muda. Você passa a enfrentar mais responsabilidades, mas amadurece enquanto pessoa”, afirma Anderson.

Mas, se casamento traz tanta felicidade, por que mais e mais casais se separam? Sinal de que a relação a dois também é sinônimo de problema? “Hoje em dia, muitas pessoas só querem saber de dividir os momentos bons na vida conjugal. As dores de cabeça, cada um que cuide da sua”, afirma a psicóloga bauruense Maria Lúcia Bien.

Em seu casamento, Anderson garante que fará diferente. “Minha noiva e eu acreditamos que nossa união é para sempre. Se no futuro surgirem problemas, tentaremos conversar e resolver por meio do diálogo”, garante.

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