Embora o extintor de incêndio seja presença constante em locais de trabalho, condomínios, escolas e hospitais, a maioria das pessoas não sabe utilizá-lo de forma correta. Ontem, um princípio de incêndio na Escola Estadual Mercedes Paes Bueno, no Higienópolis, mostrou a importância desse equipamento que para muitas pessoas ainda é um mero item decorativo.
Por volta das 9h20, o ventilador da sala da 8ª série da escola estadual começou a pegar fogo. Os 35 alunos que estavam no local foram retirados e o Corpo de Bombeiros acionado. Como as chamas se restringiram ao objeto, um professor utilizou o extintor de incêndio do corredor da escola para apagar o fogo.
Os bombeiros chegaram logo em seguida, cortaram o fornecimento de energia elétrica da sala para evitar qualquer curto-circuito e verificaram se o fogo havia afetado o telhado ou alguma outra estrutura da escola. Ninguém se feriu e os danos atingiram apenas o ventilador.
Segundo o tenente Damiati, do 12º Grupamento de Bombeiros, uma ação rápida utilizando o equipamento de segurança em incêndios de pequeno porte é fundamental para evitar danos maiores no prédio e até mesmo entre as pessoas envolvidas. “Ninguém é obrigado a saber de tudo, mas poderia facilitar o trabalho do Corpo de Bombeiros e preservar danos materiais maiores com um conhecimento maior na área de emergência de incêndio”, explica.
Para ele, as pessoas simplesmente não reparam no objeto. “As pessoas passam por ele e não observam. Aquilo faz parte da vida dela, está no corredor em que ela passa 50 vezes por dia, mas nunca parou para ver como é ou a instituição não se preocupou em dar o treinamento adequado aos funcionários”, pondera.
É aconselhado o uso de extintores apenas no princípio do incêndio, pois a carga do equipamento é limitada. Quando o fogo já tomou metade do ambiente, é necessário acionar o Corpo de Bombeiros para medidas mais efetivas de combate às chamas.
Damiati ressalta que há diversos tipos de extintores e cada um tem uma função específica. O uso do equipamento errado pode implicar no aumento das chamas e choques elétricos, por exemplo. “Para incêndio classe A, em materiais combustíveis sólidos, utiliza-se água. Em líquido inflamável, usa espuma, pó químico seco. Em equipamento elétrico, gás carbônico ou pó químico seco. Cada extintor é voltado para determinado tipo de risco”, orienta.
Após conferir se o extintor do prédio é compatível com o tipo de incêndio, seu manuseio é simples. “Na verdade o uso do extintor é muito simples, falta um pouco de interesse de quem ocupa o prédio em saber utilizá-lo. É simplesmente pegar, tirar o lacre e apertar o gatilho. Não requer prática nem tampouco habilidade”, diz o tenente.
O ideal é que além dos equipamentos de segurança, as instituições treinem seus funcionários sobre como agir em emergências e até mesmo instituam uma brigada de incêndio. Empresas de segurança do trabalho fazem este tipo de orientação. “Não queremos que as pessoas sejam bombeiros. A gente acha importante que elas tenham noções de como agir, até mesmo para não entrar em desespero no caso de uma emergência”, finaliza Damiati.
A Secretaria Estadual da Educação informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os funcionários e alunos da EE Mercedes Paes Bueno receberam há dois anos um treinamento sobre como agir em incêndios.