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Usina faz biodiesel com óleo caseiro

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Longe do que possa parecer, o título acima pouco tem a ver com a rotina de quem é dedicado exclusivamente aos afazeres domésticos. Na verdade, se trata dos caminhos percorridos por material que o óleo, se corretamente coletado e transformado, simboliza preocupação ambiental e impulso econômico, assim é tratado em Bauru projeto de cunho social e, principalmente, cultural.

Com a proposta de fabricar combustível limpo, com a produção de biodiesel mediante reaproveitamento de óleo de fritura, a iniciativa dá seus primeiros passos em Bauru com a instalação e pleno funcionamento de uma mini usina que refina o óleo de cozinha e já produz os primeiros litros do combustível ecologicamente correto.

Encabeçada pela ONG ComVida, especializada em refinar o material denominado pelos integrantes da entidade por OGR (Óleo e Gordura Residual), a proposta, que tem entre seus parceiros a Cooperativa de Resíduos de Bauru (Cootramat), visa, conforme seus idealizadores, principalmente, uma transformação cultural, mediante estabelecimento de um plano comunitário de gestão ambiental.

A mudança cultural, afirmam Ivan Meneses e Carlos Kleberson Ferreira, respectivamente, diretor ambiental e presidente da ONG, frutificaria do incentivo junto à população. Ela é a principal fornecedora da matéria prima que, além do biodiesel, também resulta na fabricação de óleos para outros fins industriais – como a conservação de couro -, além de subprodutos, como sabonete de glicerina, material separado após o refino do óleo no processo final de fabricação do combustível.

Potencialmente, frisam, as residências seriam as maiores fornecedoras de matéria prima para a fabricação do combustível alternativo, que, entre seus benefícios, minimizaria a emissão de poluentes na atmosfera – a substância não tem enxofre e tem impacto ambiental até 88% menor, afirma Meneses, do que os derivados de petróleo ou álcool.

O diretor ambiental da ONG destaca também que o objetivo maior do projeto é fazer com que a população deixe de despejar o óleo no esgoto, pois a substância, enfatiza Meneses, é a que mais afeta a água. “Nosso objetivo é fazer com que a população não jogue mais esse resíduo na rede de esgoto”, enfatiza. “Temos de sanear o planeta e não comprometer mais a água”, acrescenta.

Entretanto, apesar de potencialmente ocuparem posição de destaque no fornecimento de matéria prima, as moradias, justamente pela falta de cultura no recolhimento e encaminhamento do material para usinas, na prática, ainda exercem função apenas de figurantes no processo. “O projeto precisa ser culturalmente aceito”, incentiva Meneses.

Atualmente, a produção do biocombustível na mini-usina em Bauru, através do processo conhecido como “Transesterificação”, é garantida por industrias da cidade e outros municípios do Estado, que comercializam o óleo utilizado nos mais variados processos de fabricação.

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