Bairros

Refrescante, sorvete é alimento completo

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

O medo de ganhar uns quilinhos é comum entre quem tem o hábito de visitar sorveterias freqüentemente. O temor aumenta quando o local oferece acompanhamentos para a delícia gelada: fica difícil resistir a caldas de morango, de chocolate ao leite, cerejas, nozes, entre outros. Mas para os apaixonados pela guloseima, uma boa notícia: o sorvete é um alimento completo e essencial para uma nutrição balanceada.

A nutricionista Suemi Ariki, do Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bauru, explica que o sorvete tem muitos elementos positivos e deve, sim, ser consumido o ano todo. “Ele é composto de açúcares, gorduras, vitaminas A, B1, B2, B6, C, D, K, proteínas, cálcio, fósforo, e outros minerais. É um complemento alimentar de alto valor nutritivo, e benéfico se consumido na medida certa”, explica.

O sorvete pode atingir 135mg de cálcio, o que coloca o alimento em uma posição privilegiada. O cálcio é um mineral essencial para a formação e mantimento da estrutura óssea. Em termos médios, o consumo de 100 gramas de sorvete pode representar de 8% a 16% da dose diária recomendada, mas é preciso cuidado para não extrapolar. “Deve-se levar em consideração que a maioria destes produtos é industrializada e contém gordura hidrogenada, corantes e aromatizantes, que são prejudiciais à saúde”, aponta Ariki.

A dica é consumir com moderação e fazer escolhas. “Sem dúvida fica difícil resistir a tantas guloseimas, mas não é porque uma sorveteria me dá opções que eu posso escolher tudo. Todo alimento em excesso é prejudicial”, analisa Ariki. (Veja receitas com sorvete na página 3)

De acordo com ela, 20 gramas de cereja tem aproximadamente 51 calorias e eqüivalem a uma colher de sopa de marshmellow. Já 30 gramas de chocolate derretido têm cerca de 163 calorias. O sabor e o tipo também devem ser considerados. “Um picolé de coco tem aproximadamente 75 kcal, um sorvete de massa no sabor creme com 40 gramas tem cerca de 77 kcal”, compara.

O professor Sérgio Cezarino Grava, 42 anos, usa os benefícios do alimento a seu favor. Ele consome pelo menos um pouco da iguaria todos os dias. “Sei que tem muitos benefícios, por isso o encaixo na minha alimentação. Muitas vezes troco o jantar por um sorvete, acho mais leve, ideal para a noite”, destaca ele, que diz manter a rotina mesmo no inverno.

Danilo Vilas Neto, 17 anos, estudante, pensa da mesma forma que Grava, embora vá ao local com menor freqüência. “Acho que me dá energia, além de refrescar. Todo final de semana é sagrado: vou à sorveteria”, conta.

A possibilidade de aliar prazer aos benefícios do produto é o que atrai a atenção de Priscila Barbosa Galhardo Salvati, 23 anos. Ela conta que atravessa a cidade para ir até a sua sorveteria preferida. “Moro na Vila Souto e sempre que quero chupar sorvete vou até a Vila Noemy. Vale a pena encarar a distância. Lá o alimento tem um gosto diferente, os sabores são ótimos. Por mim tomava todo dia”, conta.

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Consumo e produção

O clima tropical e as temperaturas que beiram 40 graus no verão favorecem a produção e o consumo do sorvete no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes (Abis), o País ocupa o 10º lugar no ranking mundial de produção e o 11º lugar no quesito consumo.

Números que não são maiores devido à cultura dos brasileiros que, em grande parte, acreditam que o alimento deve ser consumido apenas no verão. “O setor de sorvetes no Brasil tem capacidade de atender o mercado durante todo o ano da mesma forma, mas, infelizmente, as pessoas têm a falsa idéia de que sorvete no inverno faz mal, provoca gripes e resfiados”, aponta Eduardo Weisberg, presidente da Abis.

De acordo com a Abis, este conceito está sendo modificado aos poucos. Entre 2002 e 2008, o consumo de sorvetes no Brasil cresceu 33,8%, passando de 713 milhões de litros/ano para 954 milhões de litros/ano.

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