Tribuna do Leitor

Animais abandonados


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Hoje vivemos um momento em que as pessoas estão pensando mais no meio ambiente, em reciclar, em plantar árvores, em não jogar lixo na rua, enfim, estamos partindo para um futuro melhor. Mesmo assim nos deparamos dia-a-dia com atrocidades difíceis de compreender. Animais abandonados, maltratados, jogados na rua sem qualquer dó, simplesmente porque os seus donos não os querem mais. Outra situação são os animais que são comprados: pessoas empolgadas, filhos pedindo, chorando, tendo até febre e assim chega o animalzinho em casa, lindo, filhote, fofinho, que após alguns meses começam a brincar, morder, arranhar e perdem a graça. Mais uma vez esse animal é levado de casa em casa, até alguém “suportá-lo”.

Alguns ainda levam os animais em ONGS ou em pet shops ou em clínicas veterinárias ou ao CCZ, achando obrigatório essas instituições bancarem esses animais, e saem aliviados, pois já fizeram sua parte. Isso é “fazer milagre com santo dos outros”, na minha opinião. Muitas pessoas também, com condições, ligam para as ONGS e dizem não ter condições de ficar com o animal ou que não podem castrá-lo, esperando que isso seja feito de graça por essas instituições, tirando assim o lugar de pessoas que realmente precisam de um suporte.

E no meio de tudo isso há as pessoas de bom coração. Pessoas que não suportam ver esses animais abandonados, pessoas que não ligam pra raça, cor, idade, tamanho; pessoas que não esperam o poder público que está amarrado com tanta burocracia e que recolhem esses pequenos, grandes, peludos , novos, velhos, e cuidam como podem. Várias delas com seu próprio dinheiro, algumas aceitando doações, algumas com ajuda de outras pessoas, e, pasmem: essas pessoas ainda são discriminadas como loucas e doentes. É gente, tá faltando mais gente louca e doente nesse mundo então, e ainda bem que sou uma delas.

Ana Lúcia Geraldi

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