A leitora Ana Lúcia Geraldi, em carta publicada neste JC em 03/12, escreveu, com muita clareza, sobre o abandono de animais domésticos na cidade e do admirável esforço de alguns heróis abnegados, a maioria anônimos, que os recolhem, cuidam deles, custeiam as despesas de castração e de medicamentos e ainda tentam encontrar-lhes um lar definitivo. Entretanto, tanto esforço parece ser em vão quando vemos que se repetem os tristes casos de abandono e maus tratos de cães e gatos.
Assim, acredito que para tentar resolver essa questão será inevitável a instituição de regras mais rígidas para a criação e venda desses animais. Além, evidentemente, das campanhas para a adoção, esterilização em massa (gratuita), conscientização da posse responsável, punição exemplar de donos negligentes e para evitar a compra por impulso. Na Itália, na Suíça e, salvo engano, em alguns estados dos EUA, por exemplo, não existe hipótese de se possuir ou comprar um cão que não seja castrado, exceto se for um criador, o qual, obrigatoriamente, deve ter uma licença do poder público, concedida mediante o preenchimento de diversos requisitos e o pagamento de uma taxa bem cara.
Assim, se apenas criadores com licença e lojas do ramo pudessem comercializar animais domésticos e estes tivessem que ser obrigatoriamente castrados antes da venda/doação/adoção certamente diminuiria a sua população e se evitaria a reprodução descontrolada, bem como os injustificáveis e abomináveis casos de abandono e maus tratos. Com a palavra, as nossas autoridades.
Adriano A Bruno – bancário