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Sentimentos negativos também são despertados com chegada da data

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Se o Natal incentiva sentimentos positivos, há também quem se aborreça com a data, e não é apenas Ebenezer Scrooge, aquele personagem ranzinza do livro “Conto de Natal”, de Charles Dickens, publicado no longínquo dezembro de 1843. A exemplo dele, outras pessoas não vêem graça nos pisca-piscas que enfeitam as casas, o comércio, a cidade toda. Tampouco encantam-se com as canções de Natal, com Papai Noel e seus presentes deixados debaixo da árvore toda enfeitada.

Ao invés de celebrar a data, preferem que ela passe o mais rápido possível. Nem que para isso seja preciso ir para cama mais cedo e tomar calmante para dormir o Natal todo e acordar só no outro dia, quando a vida volta ao ‘normal’.

Outros se estressam com a data. Basta os preparativos não saírem da maneira como estavam previstos que a empolgação logo se transforma em irritação. E o espírito natalino vai assar no forno junto com o pernil.

A exemplo do personagem Ebenezer Scrooge, Andréa Cristina da Silva, 37 anos, empregada doméstica e moradora de Bauru, também odeia o Natal e não nutre nenhuma simpatia pela data. “Eu me sinto triste quando chega essa época”, revela.

As justificativas para essa aversão ao Natal são de impressionar. “Quando eu era criança nunca ganhei presente de Natal. Eu via as outras crianças ganhando brinquedo e eu nada. E também não tinha o que comer. Ceia em casa nunca existiu. A gente tinha de revirar o lixo das feiras ou dos mercados para encontrar alguma coisa para comer. Essa era a nossa ceia”, relata.

Para completar, Andréa comenta que os pais morreram em dias diferentes, mas ambos perto do Natal. “Por isso, nunca comemorei e até hoje não comemoro”, diz.

A vida também não foi fácil para Maria Izabel Trindade, 50 anos, quando era criança. Ela também não tinha muito o que comemorar quando chegava o fim de ano. Ela morava em um sítio e os pais não tinham condições financeiras para encher os filhos de presentes ou oferecer uma ceia de Natal ou mesmo um almoço especial. “A única coisa que a gente tinha de sobra para comer era manga. Quando ela acabava, não tinha mais nada”, relembra.

Mas se Maria Izabel não tinha motivos para celebrar o Natal quando criança, agora ela tem. Ao contrário de Andréa, ela deixou as tristezas para trás fazendo companhia para o passado e está vivendo o presente.

“Depois de tudo que passei, hoje sou feliz. Tenho um bom marido, filhos maravilhosos, estamos todos empregados, com saúde. O Natal, agora, é motivo de muita comemoração. Nossa ceia é a coisa mais linda do mundo. Tem comida e presente para todo mundo”, alegra-se. Mesmo não tendo mais os pais para compartilhar esse momento, ela não deixa a peteca cair. “Meus pais morreram, mas eu e meus irmãos estamos todos bem.”

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