Tribuna do Leitor

ESCRAVIDÃO ANIMAL


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Sei que muitas pessoas ficam indignadas de ver carroceiros que circulam pela cidade impondo aos animais abusos e chibatadas, infiltrados no meio do trânsito, numa atrocidade total para com eles. Podemos ver que estão trabalhando, no calor de 30ºC, sem beber água, sem comer, explorados além dos seus limites. E o que mais revolta é que a maioria trota pelo asfalto sem ferradura, com o casco lascado com pregos saindo deles, aprisionados nas carroças com os pneus muchos. Como podemos falar em natureza se aceitamos essa violência? Ser um carroceiro não é uma profissão digna.

Acho que os comerciantes deveriam depositar seu lixo reciclável num local reservado na própria avenida, como uma alta gaiola de ferro (já vi esse modelo em Goiânia), onde catadores com direitos assegurados, remunerados, com veículos motorizados levariam em usinas processadoras desse lixo. Antes carroceiros, depois catadores contratados. Não à escravidão de homens e animais.

Não a cavalos correndo entre carros, ônibus e caminhões, numa disputa injusta. Já vi uma mulher arrancar do carroceiro o chicote e levar embora com ela, numa tentativa de aliviar o sofrimento do animal e também já vi os filhos dos condutores de carroça dentro delas, mas e o cinto de segurança dessas crianças? Temos que resolver essa situação de quem vive assim em nossa cidade, pelo menos.

Peço às autoridades banirem ou melhorarem esse hábito em Bauru, não circulando carroças nos horário de trânsito, por que não só à noite, das 20h às 23h, e de manhã, das 4h às 7h? Com certeza os cavalos não nasceram para serem nossos escravos e ninguém merece viver desse subemprego em condições precárias.

Merli Quaggio Vieira

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