Geral

‘Não tem um dia que não sinto nada’

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Dolores (nome fictício) toma, no mínimo, sete comprimidos por dia. Três deles apenas para a depressão, um para pressão alta, um diurético para problemas renais, além de outros dois para controle do colesterol.

Os problemas, lembra a dona de casa, começaram após a perda do primeiro filho, que nasceu morto. Além de uma dor de cabeça onipresente, o sofrimento é acentuado por um quadro depressivo, de ansiedade, nervosismo, bem como problemas nos rins, colesterol alto, além de hipertensão arterial.

“Sei que muita coisa é de fundo psicológico”, admite a mulher, de 57 anos, ao também confirmar que constantemente busca auxílio em centro de saúde. “Não tem um dia que eu possa falar, ‘graças a Deus, não tenho nada”, queixa-se. “Mas as pessoas têm de saber que busco atendimento porque preciso. Se eu não precisasse, seria a maior bênção”, acentua.

Consciente de que, em alguns casos, sua dor é evidenciada por um transtorno psicológico, ela afirma que, mesmo em tratamento psiquiátrico com medicamentos controlados, dificilmente voltará ao psicólogo.

Segundo a dona de casa, um desentendimento com profissional da área a motivou a não mais procurar esse tipo de auxílio. “Fui durante um mês e parei porque achava que ia brigar com ela”, detalha. “Sou muito nervosa e absorvo os problemas dos meus familiares”, admite.

____________________

Respeito

Independentemente à existência dos sintomas físicos reclamados pelos doentes, é consenso tanto entre profissionais da área da saúde quanto da psicologia que atenção é fundamental em qualquer caso. “Procuramos atender todas as necessidades. Cabe ao médico avaliar e, dependendo do caso, encaminhar ao psicólogo”, comenta a enfermeira Marta Peixoto Duarte, do Hospital São Lucas.

Segundo ela, é comum alguns pacientes que já receberam atendimento retornarem em busca de novo amparo. “Algumas pessoas que retiram medicamentos ficam apavoradas e reclamam até de piora simplesmente porque sobrou apenas um comprimido dentro do frasco”, testemunha a profissional. “Mas o atendimento é sempre prestado, independentemente a qualquer fato”, assegura. “Não é algo inventado, é transtorno classificado internacionalmente. Muitas vezes o corpo ‘fala’”, reforça a psicóloga Bruna Burneiko Alves Meira, do Hospital Estadual de Bauru, acentuando que formas e tempos de tratamento variam de caso para caso. “O importante é procurar auxílio profissional”, reforça.

Comentários

Comentários