Apesar da velocidade e comodidade proporcionadas pela Internet, a procura pela cara metade na web pode trazer, além dores de cabeça, a temida ‘dor de cotovelo’, caso não sejam tomados alguns cuidados. Para que o cupido virtual não se torne um carrasco, nada melhor que casais com histórias de união online bem sucedidas para orientar os navegantes de primeira viagem.
É o caso dos namorados José Antônio Ramalho, de 48 anos, e Daniela Mantegari, 46, que se conheceram através de gigas e bytes. Juntos há mais de dois anos, eles resolveram compartilhar a experiência com a publicação de um livro, que traça as diretrizes básicas para quem busca a ‘tampa da panela’ sem precisar se aventurar em baladas ou percorrer barzinhos.
Lançado mês passado pela editora Gente, “Amar.com” aborda de forma bem humorada diversas situações de paquera virtual e norteia os internautas a como se portar diante do monitor, caso queiram, realmente, gastar o tempo no teclado com alguém que, de fato, venha a ser uma companhia duradoura durante anos.
Repórter e fotógrafo, Ramalho conta que conheceu Daniela totalmente ao acaso, durante pesquisa que fazia na Internet, coincidentemente ou não, para matéria sobre relacionamentos online. “Eu fazia reportagem para a revista de bordo de Varig. Fui vítima da minha matéria”, descontrai.
Para o jornalista, a Internet é cupido eficaz principalmente para juntar pessoas por meio da afinidade. Numa situação de paquera convencional, exemplificam os autores, os gostos semelhantes dificilmente são o primeiro chamariz para um contato no mundo real entre então desconhecidos.
Além disso, enfatiza, a web facilita o encontro de pessoas que, mesmo morando numa mesma cidade, talvez jamais se cruzariam ou, se isso ocorresse, possivelmente não trocariam palavras em situações do dia-a-dia.
“São Paulo é uma cidade de 12 milhões de habitantes. Não temos amigos em comum. Jamais nos encontraríamos”, acredita o paulistano Ramalho. “Mesmo numa cidade igual a Bauru, nem tão grande, mas que também não é pequena, muita gente não se cruza e teria na Internet uma excelente forma de se conhecer”, garante.
De trás para frente
Ao contrário das paqueras convencionais, onde o perfil físico da pessoa é o primeiro atrativo para um pretendente, na Internet, defendem os autores de “Amar.com”, os casais se conhecem de “trás para frente”. “Na Internet os casais se aproximam por afinidade”, reforça Daniela, que recorreu a sites de relacionamento após um longo período no Exterior.
Após retornar dos Estados Unidos, onde trabalhou com moda e indústria têxtil, ela conta que sentiu a necessidade de buscar uma companhia sem ter de passar pela maratona da paquera tradicional, entre bares, baladas, e outras correrias, muitas vezes sem sucesso garantido. “Após muito tempo fora me senti perdida”, confessa.
Mesmo com o aumento da quantidade de pombinhos virtuais, Daniela observa ainda resistência entre internautas em admitir visitas a sites de namoro. “O engraçado é que tem gente que se orgulha em falar que beijou dez numa noite do Carnaval de Salvador, mas tem vergonha em falar de paquera na Internet”, compara.
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‘Byte, que eu gosto’
Ao lado dos candidatos sinceros, existem aqueles internautas que, mesmo inconscientemente, “pedem” para se decepcionar. No livro “Amar.com”, José Antônio Ramalho e Daniela Mantegar dão dicas de como evitar foras virtuais provocados antes mesmo que a pessoa inicie as primeiras tecladas.
Apelidos engraçadinhos, orientam os autores, podem até arrancar risos do outro lado, mas dificilmente têm eficiência na conquista. “Você estaria disposto a conhecer ‘bernardo-boavida, pato-de-borracha, murilo-baladeiro, indiomeigo, duro_de_fisgar, zédaégua ou tonybizarro?”, pergunta a co-autora. “O apelido diz muito sobre você. Eu jamais mandaria um e-mail para a ‘Florzinha do Campo’”, exemplifica o jornalista.
Por outro lado, excesso de otimismo, com frases do naipe: “Estou de bem com a vidaaa (sic)” ou auto-piedade melancólica, do tipo “Só a solidão me entende”, também devem ser deletadas, orientam os autores.
• Serviço
Mais informações sobre o livro “Amar.com” podem ser encontradas no site www.livroamar.com ou no twitter: http://twitter.com/amarpontocom, onde os autores dão dicas sobre paquera online.