Durante 12 dias, líderes de 192 países reuniram-se na Dinamarca na tentativa de encontrar soluções para diminuir os riscos de uma catástrofe em escala planetária provocada pelas mudanças climáticas. É o encontro mais importante deste começo de milênio. As controvérsias políticas e científicas sobre as causas e os efeitos do aquecimento global ainda vão persistir, mas a unanimidade de pensamento não era o que de mais importante se esperava da Conferência de Copenhague, num mundo de múltiplas visões sobre a mesma realidade.
A imprensa internacional tem emitido seguidos alertas sobre os riscos em caso de fracasso nesse esforço das lideranças globais de tomar decisões capazes de evitar ou atenuar o desastre que parece iminente. Mas assegurar a continuidade da vida dos mais de 6 bilhões de habitantes da Terra não é uma tarefa conferida somente à articulação de poder entre os Estados e ao conhecimento oferecido pela ciência.
Não se descarta obviamente que governos, cientistas, empresas e toda espécie de organizações têm a responsabilidade de sair à frente com ações preventivas coordenadas em redes de forma inteligente e urgente. O que se espera, entretanto, é que cada um faça a sua parte, ainda que o primeiro passo na caminhada seja apenas simbólico como na fábula do beija-flor que carrega no bico a gota d’água para ajudar a apagar o incêndio na floresta.
Para que isso aconteça, três fatores são necessários. Primeiro, aceitar que o Planeta em perigo compreende a sua região, a sua cidade, o seu bairro, a sua rua. Depois, conscientizar-se de que é possível prevenir o caos. E por fim, agir. Em todas essas etapas, a informação é indispensável. Os jornais membros da Associação Paulista de Jornais (APJ), formadores da maior rede de jornais regionais do país, publicam este editorial em conjunto com a plena consciência do importante papel a ser exercido por autoridades, educadores e lideranças locais e estaduais. Divulgar, apoiar e cobrar soluções - eis a nossa missão.
Não é de hoje que abrimos espaço para assuntos como a superpopulação, a contaminação do solo e das águas e a degradação do meio ambiente. A novidade - e o mérito de Copenhague talvez esteja em ter enviado o recado a tempo - é que fatos como o derretimento das calotas polares e a concentração de gases na atmosfera terão que ser tratados com o mesmo grau de proximidade e gravidade com que enxergamos as alterações na agricultura e na pesca ou a qualidade do ar em nossas cidades. Esteja onde estivermos. A quem acredita na capacidade de regeneração da natureza e sobrevivência da espécie humana, a expectativa maior após Copenhague é que os sinais ali emitidos resultem em intervenções concretas no cotidiano do mundo perceptível a cada cidadão terrestre – seja no país, na cidade ou na vida doméstica.
Este editorial foi preparado pelo Núcleo Editorial da Associação Paulista de Jornais - APJ - e está sendo publicado hoje, simultaneamente, nos jornais da Rede Paulista de Jornais