Tribuna do Leitor

Seus nomes são números


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Na pia batismal, seu pai, o Senhor Tempo, deu-lhe o nome de 2010. Seus 2008 antepassados, por razões claras, ausentes ao sagrado evento. Presente, desvalido, somente o parente mais próximo, de nome 2009. Abatido, triste e amargurado ao recordar acontecimentos durante seus dias. Conversou com seus botões: “Nem vale a pena recapitular. As coisas boas que aconteceram, foram apagadas pelas ruins que castigaram o mundo e a nossa pátria. Atentados matando, bandidos seqüestrando e assaltando, traficantes envenenando crianças, jovens e adultos.

A incontida ânsia do sexo e da miséria prostituindo menores, mulheres e homens. A corrupção grassando no comércio e na indústria a sonegar furtando o erário, a justiça humana e a piratear ações e produtos. Na política, homens e mulheres que mereceram a confiança dos seus eleitores, traindo, sem pejo, se deixando seduzir, despudoradamente, por moedas da indignidade, violentando a moral da Nação.

Políticos dominados pelo egoísmo e a ânsia do poder, transformaram-se em bandoleiros ignóbeis a enganar e a roubar a sociedade que os elegeu, e continuam impunes com seus traseiros a apodrecer as cadeiras que ocupam”. Os botões, ousados, desabafaram como os brasileiros desejam: “cambada de f.d.p. Lágrimas emudeceram 2009.

De repente, entusiasmado pela esperança, refletiu: “O nome 2010 está sendo batizado. Espero que proporcione coisas melhores ao povo tão sofrido, principalmente os menos privilegiados. Que a fraternidade prevaleça entre os homens. A moral seja a mãe da conduta. O brasileiro se faça digno como político, protegendo interesses sociais e culturais, não se deixando seduzir pela corrupção e não maculem a nossa “ordem e progresso”. Que às noites, seu travesseiro seja o seu altar. Os desafortunados recebam dos governos e da sociedade o que lhes é devido por justiça e coração: trigo, educação, saúde e trabalho para o honroso título de cidadão brasileiro. E filhos leguem aos seus filhos as virtudes do amor, respeito, humildade e caridade herdadas dos seus pais e da herança divina, e os pais se voltem para seus filhos como seus pais por eles se dedicaram e se sacrificaram.

Que a humanidade renuncie ao egoísmo, mal maior do desequilíbrio social e moral, permitindo a inspirada justiça divina seja conduzida por homens de boa vontade a se doar e amar sem desejar recompensas, e a abrir novas alamedas para um futuro mais humano. Que os corações e as consciências abriguem Jesus Cristo!” Sorrisos brotaram no seu rosto envelhecido. Era uma vez um senhor de nome 2009, partindo para o passado, história do tempo da corrupção e da impunidade.

Agora, é um novo ano a chegar acenando a esperança e a expectativa de que tudo será melhor, ouvindo o maior de todos os brasileiros: Deus! Cicatrizar as feridas e confiar que o “homem novo” tenha a visão voltada para o próximo porque o futuro depende e está nas mãos e no coração do próximo. Adeus e vá em paz, 2009! Você não é culpado pelo ruim. Não foi por sua culpa. Tudo aconteceu por culpa do homem sem princípios. Bem-Vindo com o Homem Novo, 2010!

Munir Zalaf - presidente da Academia Bauruense de Letras

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