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Falha em concurso vai parar na polícia

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A prova realizada em Bauru para seleção de professores temporários interessados em dar aulas em 2010 na rede estadual de ensino acabou na delegacia. Em duas salas de candidatos a aulas da disciplina de física ocorreram problemas. Em uma o número de provas era inferior ao de candidatos e, em outra, a prova distribuída era de disciplina diferente da qual os professores deveriam fazer.

De acordo com a diretora estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Suzi da Silva, 79 candidatos não fizeram a prova aplicada pela Vunesp, que em Bauru ocorreu na Faculdade Anhanguera, por conta das falhas. Além de chamar a Polícia Militar, vários deles foram à delegacia e registraram boletim de ocorrência de preservação de direitos.

Segundo Suzi, na sala 13 o número de provas não foi suficiente para atender todos os candidatos. “Faltaram 12 provas. Como seis candidatos não compareceram, de fato, faltaram seis. Diante da situação, os organizadores resolveram fazer cópias das provas. Três candidatos acompanharam os organizadores nas cópias, mas quando retornaram, a classe refutou fazer as provas”, diz ela referindo-se ao questionamento dos candidatos sobre a legalidade de fazer prova xerocopiada.

O professor Gustavo Iachel, um dos prejudicados com o erro e que enviou carta de protesto à Tribuna do Leitor, disse que, enquanto as provas eram xerocopiadas, o problema chegou à coordenação do vestibular, mas já eram 9h45 - a prova começou às 9h.

A esta altura, ressalta, mesmo que chegassem provas oficiais para os candidatos que não tinham recebido-a, a turma não teria concentração necessária e tempo para responder todas as questões. Ou seja, estariam em condições de desigualdade com os demais candidatos. “Todos estavam nervosos”, comenta.

Ana Paula Reis dos Santos Perrela é outra candidata prejudicada. “Eu acompanhei o pessoal que foi fazer cópias. Quando voltamos para a sala, os colegas não aceitaram. Suspeitaram de fraude”, comentou.

Na sala 14, as provas que deveriam ser de física, eram de química. “Os profissionais não fizeram as provas porque não era da área deles”, relata a diretora da Apeoesp.

José Ferdinando da Silva, que mora em Cabrália Paulista e fez prova em Bauru, reclama que, mesmo que outra data seja marcada, já sofreu transtornos. “Se a Vunesp marcar outra data, terei que vir, porém tenho outros compromissos”, frisou.

Nas contas da Apeoesp, 79 inscritos para a prova de física não fizeram a prova. A Vunesp afirma que são 60. Números à parte, vários candidatos deixaram de fazer o teste da seleção. “O processo seletivo envolvia uma média de 800 professores de várias disciplinas, mas foi a prova de física que apresentou problemas. Optamos por registrar os fatos em boletim de ocorrência para preservar o direito dos candidatos. Foram registrados 36 boletins individuais e um coletivo, todos com o mesmo objetivo”, relata a sindicalista.

A assessoria de imprensa da Vunesp, em nota, explicou que houve um problema técnico com as provas de física e que a convocação para nova prova será divulgada em breve. O diretor da Faculdade Anhanguera, Marco Torres, esclareceu que apenas cedeu à Vunesp o prédio para o concurso.

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