Polícia

Posto é assaltado 3 vezes em 5 horas

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Um posto de combustíveis em Bauru pode ter conseguido, na madrugada de ontem, o direito de figurar no Guinness World Records (o Livro dos Recordes) como o estabelecimento comercial que mais sofreu assaltos no menor intervalo de tempo. Situado na quadra 6 da rua Araújo Leite - a aproximadamente 500 metros da 1.ª Companhia da Polícia Militar (1.ª Cia da PM) - , no Centro, o local foi roubado três vezes (aparentemente, por diferentes ladrões), num espaço de cinco horas.

O primeiro assalto ocorreu por volta das 23h30 de anteontem. O frentista Ronildo Deleao Leite, 49 anos, declarou em seu depoimento à PM que efetuava seu trabalho de rotina quando percebeu que um indivíduo, aparentando ser travesti, se aproximava do estabelecimento.

A pessoa trajava vestido roxo, parecia usar peruca e carregava uma bolsa grande nas mãos. O suposto travesti disse a Leonildo que estava armado e obrigou o funcionário a lhe entregar R$ 30,00 em dinheiro. Ele fugiu do local a pé, tomando rumo ignorado. A PM foi acionada, mas não conseguiu encontrar o bandido. Na madrugada, o frentista voltaria a passar por maus bocados nas mãos dos ladrões.

Aproximadamente àa 2h, Leonildo foi surpreendido por um indivíduo branco e de estatura mediana, que usava camiseta branca, bermuda jeans e um capuz na cabeça. O homem afirmou que carregava uma arma sob a blusa e anunciou o assalto. O funcionário foi obrigado a entregar R$ 30,00 ao ladrão, que fugiu em direção à baixada do Silvino. Novamente a PM foi chamada, mas não conseguiu localizar o assaltante.

Antes de seu turno acabar, Leonildo seria mais uma vez ameaçado por um ladrão (novamente um homem). Nesse último assalto, ele só tinha R$ 15,00 para entregar aos bandido. Como nos roubos anteriores, o assaltante tomou rumo ignorado e não foi localizado até o final da tarde.

Na madrugada de anteontem, esse mesmo local já havia sido visitado por um ladrão, que levou R$ 30,00 para casa. Assustado, o proprietário Sebastião Homero Gomes, 50 anos, decidiu que não irá mais abrir o estabelecimento à noite. “Infelizmente, não há mais condições de oferecer esse serviço à população. Está perigoso demais”, disse, em entrevista exclusiva ao Jornal da Cidade.

Ontem de madrugada, um outro posto quase foi assaltado em Bauru. A tentativa de roubo ocorreu por volta das 4h30, em um estabelecimento situado na quadra 18 da rua Coronel Alves Seabra, na Vila Bom Jesus, zona norte da cidade.

O frentista afirmou à PM que estava trabalhando quando percebeu a presença de um “elemento encapuzado”. O homem disse que estava armado e exigiu que o funcionário lhe entregasse dinheiro.

Porém, numa atitude que poderia ser descrita como ousada (ou imprudente), o funcionário resolveu apanhar uma chave automotiva de caminhão e partir para cima do assaltante. Assustado, o ladrão preferiu fugir sem levar nada. Segundo as descrições fornecidas pelo frentista à polícia, o homem seria branco, magro, com cerca de 1,70m de altura e usava bermuda jeans no momento do crime.

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‘Bandidos não têm medo de nada’, diz empresário

O Jornal da Cidade ouviu, ontem, o dono do posto de combustíveis na rua Araújo Leite, em Bauru, assaltado quatro vezes esta semana. “Perderam a vergonha. Os bandidos não têm mais medo de nada”, afirmou o empresário Sebastião Homero Gomes, 50 anos.

Indignado, ele disse deixará de abrir o estabelecimento depois do anoitecer. “A população acabará sendo prejudicada. Imagine só se os postos de gasolina deixarem de funcionar de madrugada. Quem precisar abastecer o carro ficará sem opções. Mas, diante de toda essa violência, fechar é a única solução”, disse.

Gomes reclama, principalmente, do fato de seu estabelecimento estar localizado a cerca de 500 metros da base da 1.ª Companhia da Polícia Militar (1.ª Cia da PM) e ainda assim ser alvo constante de ladrões. “A polícia não faz nada”, disparou.

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Prevenção

O comandante da 1.ª Cia da PM em Bauru, capitão Renato Ramos, afirmou que a corporação mantém equipes de radiopatrulha no Centro como forma de coibir a criminalidade naquela região da cidade. “Além disso, mantemos um serviço de inteligência que visa identificar e prender esses criminosos”, explica.

Ramos atribui às drogas o aumento no número de assaltos como os registrados anteontem à noite, no posto de combustíveis. “Ocorre, muitas vezes, de o usuário realizar pequenos roubos, a fim de conseguir dinheiro para comprar entorpecentes”, diz.

Na opinião dele, apenas prender os envolvidos nesse tipo de crime não irá solucionar o problema. “É preciso realizar um trabalho de base com a população, principalmente os mais jovens, para evitar que as pessoas se aproximem das drogas”, afirma.

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