Copenhague - Depois da conferência do clima de Copenhague, os próprios países que ajudaram a elaborar o acordo começaram a rejeitá-lo. Ontem, a Suécia, que detém a presidência da União Européia, chamou o resultado de “desastre”, e a África do Sul disse que ele é “inaceitável”.
Ambos tiveram papel determinante na produção do chamado Acordo de Copenhague, uma declaração de intenções na qual os governos se comprometem a continuar as conversas sobre a luta contra o aquecimento global, mas sem estabelecer metas de corte de emissões nem um prazo para finalizar um tratado com força de lei.
A África do Sul participou (com EUA, Brasil, China e Índia) do grupo que produziu o documento final. A UE teve participação no rascunho.
Buyelwa Sonjica, ministra do Ambiente da África do Sul, disse que a aceitação do acordo não se estendeu muito além dos 28 países que ajudaram a produzi-lo e botou a culpa na má condução do processo pela Dinamarca.
Os países agora tentam empurrar a culpa do fracasso uns para os outros. A imprensa britânica já tem um culpado de estimação: a China. O ministro britânico do Clima, Ed Miliband, disse num artigo no jornal “The Guardian” que os chineses haviam “sequestrado” a conferência.
A porta-voz da Chancelaria chinesa, Yu Jiang, respondeu ontem. Ela disse que os comentários eram uma tentativa de “jogar as obrigações dos países desenvolvidos sobre os países em desenvolvimento e fomentar a discórdia” entre estes, mas que esta não triunfaria.
Ontem o “Guardian” voltou à carga. Um artigo do jornalista e escritor Mark Lynas, que teria estado presente à reunião, os chineses se opuseram a que os países desenvolvidos mencionassem suas metas de corte de gás carbônico no documento, mesmo que estas fossem unilaterais. Carlgren, porém, preferiu botar pressão sobre os EUA. Como as principais exigências dos americanos foram atendidas no acordo, afirmou, os negociadores americanos “agora podem mostrar ao Senado que têm um acordo com a China, a Índia, o Brasil e a África do Sul. Agora a pressão está sobre os EUA para fazer acontecer’’.