Roma - As fortes tempestades de neve continuaram provocando transtorno na Europa e prejudicando a circulação de milhares de viajantes ontem, em estradas, aeroportos e estações de trem do continente. A previsão do tempo era de mais nevascas entre ontem e hoje.
As agências de notícias reportaram cancelamentos e atrasos em diversos vôos em aeroportos de Alemanha, Itália, Reino Unido e Holanda por causa do mau tempo.
O trem que liga o Reino Unido à França retomou suas operações ontem, com dois terços de sua capacidade total, e começou a atender parte dos cerca de 40 mil passageiros afetados por três dias de paralisação.
Tanto nas estações do lado britânico quanto do lado francês, centenas de pessoas faziam fila para entrar nos primeiros trens que partiram na manhã de ontem. Mas o serviço só será totalmente normalizado após o Natal, segundo a Eurostar, operadora dos trens.
“É a primeira vez em 15 anos que temos essas condições de neve”, disse o chefe de operações da empresa, Nicolas Petrovic, atribuindo a paralisação a uma neve especialmente seca, que se condensou no motor dos trens. Cinco deles ficaram parados no túnel do canal da Mancha na noite de sexta, com 2.500 passageiros dentro.
“Não é a primeira vez que neva”, ironizou a passageira francesa Jennifer Eboule, enquanto aguardava um trem no lado francês. “É difícil entender como algo assim pode ter causado tantos problemas.’’
O governo italiano mandou às ruas de Milão cerca de 600 soldados para escavar a neve e facilitar a circulação das pessoas. Em Veneza, autoridades avisaram os residentes que, graças a tempestades, o nível da maré local deverá subir até 1,4 metro hoje, inundando partes da cidade histórica.
Até ontem as temperaturas de até -20ºC haviam provocado 90 mortes na Europa, a maioria delas de pessoas sem-teto.
Falência
Na Espanha, onde tempestades obrigaram o maior aeroporto do país a cancelar 297 voos ontem, a situação se complicou com a falência da empresa aérea Air Comet, que teve de interromper seus vôos por ordem judicial e deixou ontem na mão cerca de 7.000 passageiros - muitos deles da América Latina, onde estão as principais rotas da companhia.
O governo do Equador pediu indenização para os equatorianos que moram na Espanha e que, por causa da falência da Air Comet, terão dificuldades em voltar ao país para as festas de fim de ano.
O governo espanhol disse que tentava realocar os passageiros afetados para outros voos e estudava fretar dois aviões, um para Lima e outro para Bogotá, para permitir o regresso de passageiros da Air Comet ao Peru e à Colômbia.
Nos EUA, onde fortes nevascas também haviam causado transtornos no fim de semana, a situação começou a se normalizar anteontem.