A região de Bauru deixou de ser atrativa para o plantio de cana-de-açúcar. Nos últimos anos, a área plantada recuou 23% e deu lugar ao plantio de eucalipto. Até seis meses atrás, a rentabilidade do eucalipto era três vezes mais do que a da pecuária.
A Duratex e Lwarcel promoveram a mudança na região que poderá se tornar uma grande floresta, observa o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde. “Eles compraram as propriedades viáveis para madeira. Nelas havia cana que deixou de ser atrativo para o produtor.”
A ‘invasão’ do eucalipto nas áreas de plantio de cana responde às frustrações daqueles que apostaram na cana, quando ocorreu o ‘boom’ do etanol. A realidade é a de que as usinas menores estão com a corda no pescoço, segundo os especialistas. Algumas endividadas negociam com fornecedores, outras em processo de recuperação judicial e o terceiro bloco formado por aqueles que já tiveram a falência decretada.
Nesse aspecto, o dirigente sindical tem opinião formada. “Nos próximos anos dois ou três grandes grupos vão comandar a cana no Estado de São Paulo. Atualmente, a Cosan toma conta de quase todo o Estado.” Para o empresário rural, não interessa plantar cana porque existe outras atividades mais rentáveis na agricultura. O produtor de cana não tem certeza se as usinas vão cumprir os contratos. Algumas não estão cumprindo, não cortaram a cana contratada e tem cana em pé. A cana deixou de ser um bom negócio há quatro anos. Tanto que das 15 usinas previstas para serem instaladas no Estado de 2005 a 2010 só três estão funcionamento.
O eucalipto, segundo Lima Verde, se tornou muito mais atrativo tanto para venda da propriedade como para arrendamento.
Para o representante sindical, é um mito dizer que o cultivo do eucalipto suga a água dos rios e mananciais. “O único inconveniente é que o cultivo forma floresta e por ser a única espécie limita alguns tipos de aves. Item que pode ser compensado com a criação de uma infra-estrutura ambiental”.
A cana-de-açúcar, segundo ele, tira muito nitrogênio do ar e desgasta menos a terra. “Como as colheitas estão sendo mecanizadas, a queima da palha, que prejudicava o solo, ficou descartada.”
Ele diz ainda que excesso de chuva deste ano favoreceu o crescimento da cana. Além da supersafra, Lima Verde acredita que as usinas vão sair do ‘vermelho’ por conta da exportação de açúcar. “As usinas produzem álcool ou açúcar. O açúcar chegou a dobrar de preço, porque a concorrente, Índia teve problemas.”
Para as usinas, a transformação de álcool em açúcar não pesa tanto. Se continuar chuva e calor, a produção vai ser grande.