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Aterro desaba e ameaça casas na Falcão

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Parte de um aterro desabou ontem colocando em risco duas casas da quadra 1 da rua José Lourenço de Faria, na Vila Falcão. Um pedaço da rua ao lado do muro cedeu em direção ao pátio da ferrovia. Um casal e duas crianças que residem na casa de número 1-7 foram orientados a deixar o imóvel à beira do abismo de cerca de 10 metros de altura. A outra residência, número 1-9, está desocupada.

O coordenador da Defesa Civil do município, Álvaro de Brito, explicou que o solo está cedendo e definiu como crítica a situação devido às chuvas que devem se intensificar nesta semana. O temporal de 20 minutos na tarde de ontem foi suficiente para a erosão “comer” um trecho da rua deixando o muro suspenso no ar, apenas apoiado nas laterais.

Toda água da chuva da parte alta da Vila Falcão desce com força em direção à parte baixa do bairro, próximo da linha férrea e onde estão os dutos coletores de águas pluviais e esgoto. Os moradores da casa 7 ficaram assustados com a rapidez com que o buraco avançou em direção ao imóvel, em questão de horas. A moradora Tânia Cristina Moraes, 25 anos, conta que, durante a semana passada, a tubulação de drenagem de águas pluviais desmoronou, dando o alerta de que o solo estava cedendo rapidamente. No final da noite de sábado, parte do barranco e árvores foram levados em direção da ferrovia.

Ontem à tarde, após a pancada de chuva por volta de 16h30, ocorreu outro desabamento. Enquanto a reportagem do JC registrava o fato no local, após a tempestade, a terra cedeu novamente.

Anteontem, a Defesa Civil já havia orientado os familiares para que deixassem o imóvel. Porém, Tânia, o esposo Jekson Bruno dos Santos, 31 anos, e os dois filhos Lucas, 5, e Tiago, 8 anos, passaram a noite na sala da casa de madeira.

Brito acionou a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), ontem, para interditar parte da quadra 1 da José Lourenço de Faria. O coordenador da Defesa Civil também acionará hoje a Secretaria de Obras da Prefeitura de Bauru.

O meteorologista André Mendonça, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), confirmou ontem que o calor, a alta umidade e a formação de nuvens devem provocar pancadas de chuvas, como a da tarde de ontem, até quinta-feira em Bauru e região. As tempestades de verão dos próximos dias devem prejudicar as obras no lugar onde o aterro cedeu. “É preciso fazer uma intervenção nem que for alguma coisa preventiva para proteger as residências”, acrescenta Álvaro.

Brito entende que o problema de manutenção periódica seria da América Latina Logística (ALL). Ele conta que foi ontem à sede da empresa em Bauru relatar o incidente. Porém, no local estavam apenas os seguranças que avisaram que repassariam a informação para um supervisor.

Por intermédio da assessoria de imprensa, a ALL informou que, a princípio, não houve nenhum registro de incidente na linha férrea na área urbana de Bauru de responsabilidade da empresa. A dúvida era se a manutenção da encosta e tubulações de drenagem próximos da margem da linha férrea na Vila Falcão é de responsabilidade da ALL.

O JC apurou também que, há um mês, ocorreu um vazamento de água na esquina da quadra 1 da rua José Lourenço de Faria. Os moradores comentaram que uma equipe do Departamento de Águas e Esgoto (DAE) resolveu o problema em um ponto da rua. Mas próximo à esquina, persistia o vazamento no bueiro. Brito diz que toda a rua tem que ser rasgada para se ter uma noção exata do problema com o solo.

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Problema antigo ameaça imóveis

A Vila Falcão é um dos primeiros bairros da cidade e a região onde está o aterro é antiga. A rua José Lourenço de Faria tem calçamento de paralelepípedos. O coordenador Defesa Civil do município, Álvaro de Brito, comenta que a falta de manutenção já causou vários problemas com as moradias sobre o aterro próximo à linha férrea. “Corre o risco de começar o problema pelo muro e avançar em direção às casas. Já teve vários problemas ao longo dos anos ali. Vem dando sinais que alguma coisa mais grave pode estar acontecendo com o aterro deles”, avalia.

Brito ressalta que pelo menos 50 moradias construídas sobre o aterro até a rua Alfredo Maia correm risco, se não for feita manutenção. O coordenador explica que há pontos em que o abismo chega a ter de 15 a 20 metros de altura do leito das ruas até a linha férrea, muito mais alto do que os 10 metros da rua José Lourenço de Faria onde o aterro cedeu ontem.

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