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Pedestre é alvo em ano de mais mortes

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

As estatísticas oficias já apontam que o trânsito em Bauru foi mais violento em 2009 que no ano anterior. Até o dia 30 de novembro passado, foram registrados 6.983 acidentes na cidade, com 30 mortos – 13 deles eram pedestres. No mesmo período no ano passado, foram 6.834, com 23 mortos.

Em dezembro, a cidade teve mais uma vítima fatal, aumentando o total para 31 pessoas que perderam a vida nas ruas e avenidas de Bauru. Em 2008 inteiro, foram 25 – apenas 5 eram pedestres. Desrespeito às leis de trânsito é o principal motivo das causas, de acordo com a Polícia Militar (PM). Entre as autuações, estacionamento em local proibido e falta de cinto de segurança foram as principais irregularidades flagradas no ano pelos policiais.

O número de mortos no trânsito é o maior dos últimos quatro anos. Em 2006, 26 pessoas perderam a vida nas ruas de Bauru. No ano seguinte, foram registrados 22 vítimas fatais. O número voltou a crescer em 2008, com 25 mortos e este ano, até o momento, foi o pior, com 31 vítimas letais.

Segundo os dados da PM, dos 13 pedestres que morreram atropelados em 2009, sete já tinham passado dos 60 anos e dois tinham mais de 90 anos (veja nesta página). Um deles, Joaquim de Oliveira, 90 anos, morreu em fevereiro, ao ser atropelado por um carro na quadra 17 da rua Bernardino de Campos. De acordo com os registros da polícia, ele estava desatento ao tentar atravessar a rua e o motorista não pode desviar.

E Massao Ishikawa foi morto em abril, no quilômetro 5 da estrada que liga Bauru a Piratininga. O motorista só avistou o vulto do idoso no momento do impacto. Já a vítima mais nova do trânsito em Bauru foi a garotinha July Carla de Oliveira, que foi atropelada por uma motocicleta na quadra 5 da rua Heitor Maia. De acordo com o motociclista, a menina entrou na rua correndo e ele não conseguiu desviar.

No ano passado, a maioria das vítimas era motociclista. Dos acidentes que totalizaram 25 vítimas fatais, 18 envolveram o veículo de duas rodas, sendo 12 condutores, três passageiros, dois atropelamentos e uma queda. Em 2009, dos 31 acidentes com vítimas fatais, 18 envolveram motos – das 11 vítimas, um era passageiro e seis foram mortos após atropelamento.

Imprudência

De acordo com o capitão Renato Ramos, comandante da 1.ª Companhia de Bauru, que abrange o Pelotão de Trânsito, 95% dos acidentes registrados ocorrem por imprudência dos condutores. “São desrespeitos às leis de trânsito em geral. O motorista deixa de observar o sinal de pare, avança o semáforo vermelho, excede o limite de velocidade. Não só nos casos de vítimas fatais, mas também em acidentes com vítimas leves e os apenas com danos materiais”, destaca.

Ele reforça que se houvesse obediência às leis, o número de ocorrências seria baixíssimo. “Talvez aconteceria os causados por falha mecânica. Mas mesmo esses são causados por falta de manutenção por parte do dono do carro, como um pneu careca”, observa.

Para ele, o aumento da frota e o despreparo dos condutores podem ser fatores que contribuem para a quantidade de vítimas. “A quantidade de veículos em Bauru era bem menor. Atualmente, conforme o JC já anunciou, temos um veículo para cada dois habitantes”, pondera.

Além disso, o capitão destaca que a facilidade em adquirir uma motocicleta, por exemplo, acaba elevando o tráfego de duas rodas e, com isso, o potencial de acidentes.

“O jovem faz 18 anos e logo tira a habilitação. Então ele vai e compra uma moto. Muitas vezes, não tem a habilitação para esse tipo de veículo. Então são jovens, inexperientes que acabam dirigindo uma moto, como faziam com uma bicicleta”, pontua.

Para combater o alto índice de mortes no trânsito, ele informa que a PM investe em educação, em parceria com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e também em repressão, autuando os motoristas infratores.

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Lei seca

Apesar de não estar entre as irregularidades mais autuadas, o cumprimento da chamada Lei Seca, que estabelece limite quase zero para ingestão de bebida alcoólica antes da direção, é um dos mais fiscalizados pela polícia.

Segundo Renato Ramos, “a PM realiza constantemente operações chamadas Direção Segura, com a aplicação do teste do etilômetro. Além disso, todas as pessoas que se envolvem em acidentes com vítimas, são convidadas a realizar o exame. Se houver recusa, isso é registrado no Boletim de Ocorrência”.

Ele ressalta que muitas seguradoras não cobrem os danos de acidentes causados por condutores que se recusaram a se submeterem ao bafômetro.

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