Para chegar ao estado atual de desenvolvimento econômico e social, as regiões mais ricas causaram grandes danos à natureza. Devastaram as matas, poluíram os rios e o ar, extinguiram muitas espécies animais, degradaram o solo e provocaram o aquecimento global. O consumo continuado de recursos necessários à satisfação das necessidades humanas, que crescem quantitativa e qualitativamente, vem comprometendo o futuro da humanidade, quer pelo esgotamento dos recursos não renováveis, quer pelos danos causados ao meio ambiente. Os sinais de alerta se acenderam, no transcorrer do século passado, com os movimentos de ativistas, como o Greenpeace. A ONU, despertada, passou a mobilizar as nações para o estudo e propostas de medidas para contenção e transformação desse processo, com o objetivo de garantir o futuro das novas gerações. Surgiu daí o conceito de desenvolvimento sustentável, como aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos e nem polui o ecossistema, preservando as condições de vida.
Os atores e responsáveis por esse processo, uns mais outros menos, são as organizações e os indivíduos. As organizações são os órgãos do Estado, as empresas e as entidades da sociedade civil. Os indivíduos são todas as pessoas, com a diferenciação do cidadão em sua vida particular e ocupando posições com responsabilidade para tomar decisões que afetam a vida dos seres humanos e a natureza. As ações individuais de desperdício de água e de energia, de produção de CO2 com seus veículos, de descarte inconseqüente do lixo etc, causam grandes danos quando somadas, principalmente nas populações urbanas. Da mesma forma que causam danos, uma mudança de comportamento poderá trazer contribuição positiva. As organizações, com destaque para as empresas, causam danos maiores, mas também podem, pelo seu poder sinérgico, contribuir muito mais que os indivíduos isoladamente.
São três os papéis de cada ator: o que cada um faz para não causar danos à sociedade e ao ecossistema; o que faz para corrigir os danos já causados e o que pode fazer para criar novas formas de proteção. O papel mais relevante, naturalmente, é o papel das organizações de governo e das empresas. Primeiro porque foram elas, e ainda são, os maiores responsáveis pela degradação do meio ambiente. Segundo, porque são exatamente elas que mais poderão fazer pelo desenvolvimento sustentável. A questão maior é que esses atores se reúnem em um só, na sociedade de cada nação. E cada uma quer se desenvolver, custe o que custar. Os países ricos foram os que mais poluíram para chegar onde estão e os emergentes se julgam no direito de seguir o mesmo caminho. Daí os impasses enfrentados na Conferência de Copenhague, quando cada país relutou em definir a sua contribuição para diminuir a emissão dos gases de efeito estufa.
Mesmo com o país anfitrião, a Dinamarca, pretendendo favorecer os ricos, sob a influência dos Estados Unidos, o maior poluidor, esperava-se que do embate de interesses entre países ricos, emergentes e pobres, de Copenhague saísse um documento, como aconteceu no Rio em 1992 (Agenda 21) e em Kyoto em 1997 (Protocolo de). Seria um avanço, mas, infelizmente, o que saiu nem de documento pode ser chamado. Assim, o egoísmo dos países vai protelando as medidas que pedem urgência para preservar o planeta Terra. Ou melhor, para preservar a vida da humanidade. A transformação do desenvolvimento a qualquer custo em desenvolvimento sustentável e a preservação do Planeta, do aquecimento global, dependem de transformação das pessoas e das nações, de atores egoístas em atores conscientes da sua responsabilidade e solidários. Essa é a ingente tarefa da educação.
O autor, Pedro Grava Zanotelli, é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru e membro da ABLetras