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Chuva mata 1 e desaloja 3.500 em SP

Folhapress
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São Paulo - A chuva que começou na noite de anteontem e se estendeu pela madrugada de ontem voltou a causar estragos em São Paulo. Um homem morreu em Guarulhos (Grande SP), barracos desabaram em Perus (zona norte da Capital), 3.500 pessoas tiveram de deixar temporariamente suas casas no Interior do Estado e o Jardim Pantanal, região da zona leste que desde o último dia 8 sofre com as enchentes, alagou novamente.

A região de Guarulhos, próxima ao aeroporto internacional de Cumbica, foi uma das mais afetadas. Segundo a prefeitura, choveu anteontem na cidade dez vezes mais do que o previsto para o dia. Cerca de 300 casas inundaram. Em alguns locais, a água subiu mais de um metro e moradores tiveram que ser resgatados de barco.

Um veículo foi arrastado pela água para dentro de um ribeirão no Jardim Hanna matando o motorista, o funileiro Israel Botelho, 61 anos. “Ele tentou dar ré, mas a enxurrada jogou o carro no córrego”, disse o genro Robson de Jesus Pinheiro, 21 anos.

Seis pessoas de uma mesma família precisaram ser resgatadas pela PM após ficarem presas no carro em um ponto de alagamento na avenida Jamil João Zarif. “Comecei a perder o controle do carro, mas consegui encostá-lo em um canteiro. Foi o que nos salvou”, disse o ferramenteiro Dirlei da Silva.

O aeroporto de Cumbica também foi afetado. Entre a meia-noite e o meio-dia de ontem, 40% dos vôos tinham atrasado e seis foram cancelados.

Em Capivari (137 km de SP), o transbordamento do rio Capivari, que divide a cidade, surpreendeu os moradores. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, subtenente Newton José Vaz de Lima, cerca de 800 casas foram atingidas. “A água subiu muito rápido. Muitas pessoas tiveram que subir no telhado de suas casas para conseguir escapar”, disse.

Em Perus, seis barracos foram interditados pela Defesa Civil. Anteontem, o chão de quatro deles cedeu, e um homem caiu em um córrego. Seu estado é grave.

Dezembro chuvoso

Desde o dia 1, 31 pessoas morreram em todo o Estado por causa das chuvas. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), este é o terceiro dezembro mais chuvoso dos últimos 15 anos, quando o monitoramento começou.

Nos 28 primeiros dias deste dezembro, 21 foram chuvosos. Choveu 16% a mais do que o previsto para todo o mês.

E as chuvas não devem dar trégua, diz o meteorologista Adilson Nazário. Elas voltam na quarta e continuar até ao menos quinta-feira, véspera de Ano Novo. A explicação, diz ele, é o fenômeno El Niño, que deixou as águas do oceano Pacífico mais quentes, havendo mais evaporação e, consequentemente, mais nuvens.

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