O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru reprovou 75% dos 4.048 hidrômetros vistoriados no ano passado no município, o que equivale dizer que 3.025 aparelhos com mais de cinco anos de funcionamento apresentaram algum problema ao longo de 2009 e aferiram o consumo de água de maneira errada, sempre para menor, dando prejuízos à autarquia.
O dado é ainda mais preocupante ao se apontar que, além disso, o número de hidrômetros fiscalizados não chega nem a 4% do número total de aparelhos que existem no município, que atualmente é de 118 mil. “Não dá para mensurar objetivamente o tamanho desse prejuízo, mas perde-se muito. Até porque ainda existe um outro problema que é em relação às perdas. A gente não tem como aferir o quanto perdeu. Além disso, a equipe que faz isso é muito reduzida. Compramos 10 motocicletas para redistribuir entre o pessoal para facilitar a locomoção dos funcionários. Sem dúvida, vamos ter que abre concurso para aumentar o número de funcionários”, afirma o presidente do DAE, Rafael Ribeiro. Apenas dez funcionários atuam no Departamento de Hidrometria Agregada.
Além da evasão de receitas, a fiscalização também causa reflexos no bolso no consumidor. Para cada hidrômetro reprovado, o DAE dá prazo de 30 dias para o consumidor providenciar sua troca. “Passado esse prazo e ele não apresentou o hidrômetro novo, a gente cobra a média de 45 metros cúbicos de água desse consumidor, o que numa residência dá cerca de R$ 150,00 por mês”, informa o diretor de Hidrometria Agregada do DAE, João Sérgio Crepaldi. O preço de um aparelho novo pode variar entre R$ 65,00 e R$ 80,00. Caso o usuário não tenha como arcar com a despesa, deve procurar a autarquia para negociar.
Crepaldi destaca, no entanto, que há aparelhos corretos com 15 anos de utilização, enquanto outros com menos de dois anos já apresentam defeito. A idade deles consta em cadastro do DAE. Os aparelhos reprovados são entregues em casa ao consumidor, que é notificado a apresentar novo aparelho na autarquia. O trabalho é realizado desde 2004 conforme regras estabelecidas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMetro) e feito por setor da cidade.
O consumidor é notificado com antecedência sobre a retirada do aparelho para aferição. Durante o procedimento, o abastecimento do imóvel não é prejudicado, pois instala-se um cano de transferência no cavalete. A retirada dos hidrômetros, que fazem parte do patrimônio particular do imóvel, não custa nada ao consumidor.
“Em 99% dos casos (dos equipamentos reprovados), a leitura dá menos (do que daria se ele fosse aprovado). É o desgaste da engrenagem. Este ano nós já fiscalizamos Altos da Cidade, Bela Vista, Parque Vista Alegre, Mary Dota, Redentor e outros. Estamos fazendo um círculo e entrar no Centro outra vez”, afirma Crepaldi, que estima que cerca de 50 mil ligações em Bauru têm mais de cinco anos. “A maioria dos consumidores nem espera vencer o prazo para apresentar um novo aparelho.”
É o caso da aposentada Alzira Alves Leonel dos Santos, 72 anos, moradora do bairro Nova Cardia, que tem até o 8 de janeiro para providenciar um novo aparelho. “O meu tinha mais de cinco anos. Eles já me devolveram e disseram que tenho que trocar. Estou providenciando um novo.”