Uma enorme cratera, aberta em decorrência das fortes chuvas de anteontem à tarde, ameaça soterrar três residências na Vila Nova Paulista, zona oeste da cidade. As casas estão localizadas na travessa que liga as ruas Aurélio Duarte e Francisco Lopes Filho, próximas a uma erosão com aproximadamente 400 metros de extensão. Em alguns pontos, a falha chega a apresentar 15 metros de profundidade. Nas imediações dos imóveis, a cratera tem em torno de cinco metros de altura.
Além da Vila Nova Paulista, outros bairros foram castigados pela chuva de anteontem. Na região Noroeste da cidade, por exemplo, cerca de 20 mil moradores começaram o ano sem água nas torneiras. Alguns problemas que surgiram em chuvas anteriores foram agravados. Com isso, boa parte dos moradores de Bauru inicia 2010 apreensiva.
É o caso do pedreiro Elias Martins, 43 anos, que viu a erosão da Vila Nova Paulista “engolir” completamente a travessa e “estacionar” a pouco mais de um metro de distância do muro da sua casa.
Ele conta que, anteontem à tarde, assim que começou a chover, percebeu que a enxurrada arrastava uma grande quantidade de terra e resolveu abrir uma pequena vala com uma enxada, para desviar a água. “De repente, o vizinho da rua de cima (Francisco Lopes Filho) disse que lá estava completamente alagado. A água começou a subir muito rápido e o chão cedeu”, conta Martins, que conseguiu sair do local antes de o barranco desmoronar.
Esta é a segunda vez que o imóvel quase é tragado pela erosão. Em fevereiro de 2001, a erosão invadiu o quintal e parou na porta da casa. Ontem, os alicerces da construção, feita em madeira, estavam bastante avariados e apresentavam diversas rachaduras.
Apesar do perigo, Martins garante que não pretende sair da casa. “Não quero me mudar. Quero ser reconhecido como cidadão pelos impostos que eu pago”, afirma. Desde anteontem, a Defesa Civil Municipal vem monitorando a erosão. A área em torno da vala foi interditada.
Uma equipe da Secretaria Municipal de Obras compareceu ao lugar para tentar minimizar os estragos feitos pelo chuva. A assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) atribuiu o deslizamento ao rompimento de seis metros de interceptores nas imediações da cratera, em decorrência das fortes chuvas.
O esgoto das casas da região precisou ser desviado para uma galeria pluvial. A situação só deverá estar resolvida na segunda-feira.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro José de Brito, será preciso de três a quatro dias de tempo firme para que o município tenha condições de recuperar os estragos mais graves. No entanto, o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) prevê mais quatro dias de tempo instável em Bauru, com possibilidade de novas pancadas de chuva.
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Mais pontos críticos
Segundo Álvaro de Brito (coordenador da Defesa Civil), entre os pontos mais críticos, que merecem atenção imediata, está a Vila Filomena, onde os moradores da rua Celina Vigue Loureiro convivem com o pesadelo de ver suas casas invadidas pelas águas do córrego da Grama.
Para resolver o problema, Brito diz que será necessário usar maquinário pesado para colocar o córrego de volta ao seu curso normal. Ao mesmo tempo, usaria a terra extraída para formar uma barreira de proteção contra novos transbordamentos.
Outro ponto crítico apontado pelo coordenador da Defesa Civil é a erosão que se formou na rua Vicente Barbugiani, no Jardim Godoy, que está colocando em risco casas e a segurança dos moradores.
Em vários pontos da cidade, como no Jardim Terra Branca, blocos enormes de asfalto foram arrancados e arrastados pela correnteza. Na rua Ayrton Bush, um buraco que já era grande aumentou de tamanho.
No Parque das Nações, segundo Brito, por muito pouco não ocorreu uma tragédia, anteontem. O grande volume de água da chuva rompeu parte da represa de um clube desativado e desceu em direção ao bairro. Cerca de 60% do volume da água represada foi abaixo. Um canal feito pelo DAE, que não tinha nada a ver com a chuva, ajudou a desviar parte da enxurrada que descia em direção às casas. Segundo Brito, somente as residências que ficam no início do bairro foram invadidas pelas águas, mas sem muita gravidade.