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Deslizamentos matam 30 em Angra

Folhapress
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Angra dos Reis - Ao menos 30 pessoas morreram ontem em Angra dos Reis (RJ) em decorrência de deslizamentos de terra causados pela chuva. No mais grave, em Ilha Grande, 19 corpos de turistas e ilhéus haviam sido retirados até o início da noite. No morro da Carioca, centro de Angra, houve outras nove mortes.

Com as ocorrências, chega a 48 o número de mortos no Estado do Rio nos últimos dois dias em razão das chuvas.

O deslizamento em Ilha Grande, por volta das 3h30, de uma encosta de cerca de 200 metros de altura na enseada do Bananal destruiu sete casas e parte da pousada Sankay.

Uma das casas, segundo moradores da ilha, abrigava 14 turistas de São Paulo. Apenas dois haviam sido retirados com vida dos escombros. Na pousada, três pessoas ficaram soterradas e 65 hóspedes foram retirados.

A filha do dono da pousada, Yumi Faraci, 18, morreu soterrada. Até o início da noite de ontem, o Instituto Médico Legal havia identificado quatro vítimas. O casal Renato de Assis Repetto - idade não confirmada - e Ilza Maria Roland, 50 anos, e as sobrinhas Gabriela Ribaski Repetto, 9 anos, Geovanna Ribaski Repetto, 12 anos, foram identificados por parentes. Todos moravam no Rio.

Por três dias consecutivos, chovia na ilha. Estava planejada queima de fogos na praia, mas, por causa do mau tempo, a maioria das festas foi cancelada. Boa parte dos visitantes dormia na hora do acidente.

Os primeiros resgates foram feitos no escuro por voluntários - postes caíram com o deslizamento. Com enxada e pás, retiraram cinco pessoas com vida. “Ouvi um estrondo e um clarão. Tentamos de tudo para tirar as pessoas”, disse Elizabeth Brito, 40 anos, que teve um sobrinho e um irmão soterrados.

Três turistas médicos de São Paulo ajudaram no atendimento até a chegada dos bombeiros. Segundo a médica Geraldine Madaloso, 33 anos, o primeiro bote dos bombeiros, que chegou por volta das 5h30, não tinha gasolina. Pequenos barcos de moradores eram usados para remover as vítimas para uma pousada, onde eram atendidos. “Os bombeiros chegaram sem equipamento nenhum, com um bote e dois homens. Acho que não levaram muita fé no que havia acontecido”, disse o médico Walter Douglas Dal Mas, 53 anos.

A terra não deixou vestígios das casas destruídas, localizadas na ponta da praia, numa extensão de 70 metros. A praia do Bananal é destino de turistas de classe média alta. O pacote para a virada do ano, de cinco dias, custou R$ 6.500. Boa parte dos moradores da ilha é de descendentes de japoneses. O local foi refúgio de orientais durante a Segunda Guerra. Hoje, vive basicamente do turismo. A maioria dos cerca de cem moradores tem parentesco entre si.

À beira da casa para onde os corpos eram levados, um grupo de 20 moradores assistia aos trabalhos e aguardava por informação. Dezenove corpos foram retirados dos escombros até o início da noite. A maioria, de turistas. Os bombeiros acreditavam, no entanto, que mais 25 pessoas estivessem desaparecidas.

O vice-governador, Luiz Fernando de Souza, o Pezão, e o secretário de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, acompanharam no local as buscas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu os serviços da Marinha para ajudar nos esforços de resgate. A Polícia Federal também reforçou a operação.

“O cenário é de destruição. Estamos trabalhando em meio a um lamaçal, e novos deslizamentos poderão ocorrer. O trabalho é muito difícil. Por isso, não podemos precisar ao certo o número de vítimas’’, disse o comandante-geral dos bombeiros, Pedro Machado. Uma retroescavadeira foi emprestada por um estaleiro de Angra. Uma lancha da Vale do Rio Doce também apoiou a ação

No continente, o deslizamento no morro da Carioca destruiu 80 casas. O prefeito Tuca Jordão (PMDB) decretou luto por três dias e cancelou toda a programação do final de ano, entre elas a tradicional procissão marítima que aconteceria hoje. A festa pelos 508 anos de Angra, que seria no dia 6, também foi cancelada.

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Governo federal oferece ajuda

Brasília - Para atender as vítimas das chuvas, o governo federal colocou à disposição do Rio de Janeiro cerca de 20 mil kits com colchão, cobertor e travesseiro. Além disso, um mesmo número de cestas de alimentos deve ser disponibilizado.

Segundo a secretária nacional de Defesa Civil, Ivone Maria Valente, os kits e as cestas estão estocados num armazém da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) da capital do Estado, o que facilitaria a distribuição aos moradores da Baixada Fluminense.

De férias numa base militar no litoral baiano, o presidente Lula telefonou para o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, e, segundo a assessoria do Planalto, colocou as Forças Armadas à disposição do Rio de Janeiro para o trabalho de resgate e atendimento às vítimas das chuvas. Ele também ligou para o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). A pasta, porém, aguarda um levantamento para que possa liberar recursos para o governo estadual.

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