Militares dizem, com deslavada cara-de-pau, que se a Lei de Anistia - 6683/79 - for revogada e os torturadores do período tiverem que ir para o banco de réus, deverão estar acompanhados por aqueles que optaram pela luta armada contra a ditadura militar. Citam textualmente os nomes de Dilma Roussef e Franklin Martins, ministros de Estado, como pessoas que precisariam ser julgados pela participação em organizações armadas contra a ditadura. Hipocrisia ou tentativa vã de tapar o sol com a peneira?
Os companheiros, hoje ministros, foram processados e julgados, com fundamentação na legislação de exceção, da época governo militar. Cumpriram penas, foram barbaramente torturados e buscaram refúgio no exterior para escapar da “informal pena de morte” a que estavam condenados, pelos espúrios detentores do poder em nossa pátria.
Concordamos com o ministro Paulo de Tarso Vanucchi, quando afirma que o Exército é uma instituição que necessita ser preservada e respeitada, entretanto, aqueles maus militares que fizeram uso indevido de suas patentes para torturar, estuprar e matar brasileiros precisam ser julgados por seus crimes. Assim como aqueles que se levantaram contra a tirania, de armas na mão ou não, foram julgados, na época de seus pretensos crimes.
Claro e evidente que uma distancia quilométrica separará os julgamentos. Os torturadores serão julgados em um regime democrático e por juízes togados, ao contrário dos torturados, que foram julgados em um período ditatorial e por verdugos do regime. Aliás, os torturadores sobreviventes poderiam partir para a “delação premiada” e apontar onde estão sepultados os restos mortais de mais de uma centena de brasileiros, mortos em câmaras de torturas ou em combate com as forças repressivas.
Como sou extremamente bairrista, poderiam começar a ajudar a descobrir os restos mortais de Jaime e Lúcio Petit da Silva, que tombaram mortos na Guerrilha do Araguaia.
Antonio Pedroso Júnior - diretor do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo e presidente do Centro de Estudos Sociais Nossa Memória, Ninguém Apaga