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Entrevista da semana: Luiz Corrêa

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Para maestro, o palco é um lugar sagrado

Aos 41 anos de idade, o Maestro Luiz Corrêa já tem quase 25 deles dedicados à música. Amante dos palcos e músico persistente, já lançou 9 CDs independentes e sonha em projetar sua carreira em âmbito nacional.

A voz inconfundível e parecida com a do rei do Rock’n’Roll, fez do Maestro uma das personalidades mais conhecidas e marcantes de Bauru. Caracterizado de Elvis, ele é capaz de fazer os amantes da boa música viajarem no tempo através do timbre de sua voz e das músicas que marcaram época.

Formado em Educação Artística com habilitação em música pela Universidade do Sagrado Coração (USC), ele tem sua vida, hoje, dedicada ao ensino musical, palcos e dança de salão, atividades que ele considera suas grandes paixões.

Sempre ao lado do pai, seu amigo, companheiro e empresário inseparável, Maestro Luiz Corrêa descobriu seu dom ainda criança e teve a mãe como sua primeira professora. Sua vida pessoal e profissional se fundem em razão da música. “Não me vejo fazendo outra coisa”, diz. Confira os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao Jornal da Cidade.

Jornal da Cidade - Quando você percebeu sua inclinação musical?

Luiz Corrêa - Eu sempre gostei de música. Minha primeira professora foi minha mãe. Ela tocava piano e educou meus ouvidos. Então, desde criança, já tinha contato com a música. Quando tinha de sete para oito anos é que ganhei meu primeiro violão e passei a ter aulas com professor.

JC - Lembra-se da primeira música que tocou?

Luiz - Acho que foi “Sereno”, uma música bem simples. No começo eu senti alguma dificuldade, mas consegui cantar e tocá-la no violão. Desde então, criei gosto pela música e não parei mais. Comecei tendo aulas de violão com Carmelo Grilo. Mais tarde, com 16 para 17 anos, estudei violão erudito e popular no colégio Magister. Em 1988, entrei na faculdade de Educação Artística com habilitação em música na Universidade do Sagrado Coração (USC), quando me tornei maestro e regente.

JC - Tem lembranças da primeira apresentação em palco?

Luiz - Sim. Eu tinha 18 anos e estava na faculdade. Tínhamos um conjunto, era o Opus Musc, Obra dos Músicos da USC. Tocávamos na faculdade e em muitas boates e bares da cidade. Mas, minha primeira apresentação fora dos palcos da USC, foi na boate Camarim.

JC - Bateu nervosismo na primeira apresentação?

Luiz- A primeira vez em que me apresentei, errei a letra. Era uma música do Elvis e, mesmo gostando muito dele, acabei errando a música logo no começo. O baterista que também cantava me ajudou. Ele entrou no meio e disse para o público continuar a cantar. Sempre ajudávamos uns aos outros.

JC - Quantos anos faz que você está nos palcos?

Luiz - Cerca de 23 anos.

JC - Como é seu repertório?

Luiz - Gosto muito de músicas internacionais e MPB, mas toco de tudo um pouco. Meu repertório é bem eclético e também tenho músicas minhas. Faço muitos eventos, bailes a casamentos. Tenho toda a indumentária para me caracterizar de Elvis, as pessoas sempre pedem.

JC - Você se considera um cover do Elvis?

Luiz - Não, eu me considero um intérprete. Se a pessoa me contrata eu me visto, faço, depois eu mudo a roupa e continuo cantando outros estilos. Porém, não é o físico que as pessoas acham parecido com o rei do rock e sim minha voz. Gosto quando dizem que sou o “Elvis Bauruense”.

JC - Além de cantar você também compõe?

Luiz - Sim. Atualmente tenho cerca de 54 composições próprias.

JC - Tem CDs lançados?

Luiz - Já tenho nove CDs, todos independentes. O primeiro, lançado em 1989, é só de composições. São músicas inéditas. Ele é bem romântico. Dei o título de “Mistura Rítmica” por ser dançante e variado. Também tem uma música chamada “Menina”, que tocou muito nas rádios da cidade. As pessoas gostaram tanto que fiz muitos casamentos com ela. Meu último CD é “Eclético”, uma homenagem a Villa-Lobos”, composto por músicas minhas e regravações.

JC - O que lhe inspira a compor?

Luiz - Pego temas atuais e coisas que acontecem comigo mesmo. Essa música “Menina” eu fiz pensando em uma de minhas namoradas. Meus namoros duram pouco tempo e acredito que é devido ao meu trabalho e viagens. Vida de artista é complicada. As mulheres acham que vamos traí-las. Estou sempre com meu público. Acho que um artista não pode desprezar os fãs jamais, independente de qualquer coisa.

JC - Você pensa em se casar e ter filhos?

Luiz - Sim. Casar, ter filhos e dar continuidade à família faz parte dos meus planos.

JC - Quais são os outros planos?

Luiz - Lançar um CD em nível nacional para mostrar o dom musical que Deus me deu e que agradeço todos os dias.

JC- Já se apresentou na TV?

Luiz- Fui ao Novo Show de Calouros do Sílvio Santos. Também passei em um teste para cantar no programa do Raul Gil, mas não cheguei a me apresentar porque o produtor que acompanhou morreu antes.

JC - Seu pai é seu empresário?

Luiz - Ele é meu empresário, às vezes me ajuda no som e também dirige. É meu amigo e companheiro para todas as horas. Me acompanha desde o início.

JC - Quais histórias mais o marcaram sobre os palcos?

Luiz - Certa vez estava me apresentando em uma boate quando veio uma mulher e me pediu uma música da Cássia Eller. Ela era tão forte que, ao me agradecer, deu um tapa nas minhas costas que quase me derrubou, e olha que sou grande (risos). Outra vez, tocando no antigo Sucata, vi um casal discutindo, prestes a se separar. Quis ajudar e pensei em uma maneira de fazê-lo. Cantei três músicas românticas e, por incrível que pareça, eles me escreveram um bilhetinho em um guardanapo dizendo que aquelas eram as músicas de suas vidas e que não estavam brigando mais por terem lembrado das coisas boas que viveram juntos.

JC - Quais são as músicas mais pedidas em suas apresentações?

Luiz - “Garçom”, não teve jeito, as pessoas pedem mesmo. Músicas do Raul Seixas também são muito pedidas. Já cheguei a tocar de cinco a seis vezes a mesma música em uma só noite.

JC - Qual é a emoção de estar em um palco?

Luiz - Ah, no palco eu me transformo. Para mim ele é um lugar sagrado, é o meu mundo que está ali. Já tentei ser professor de educação artística. Cheguei a dar aulas por quatro anos, mas não suportei e larguei tudo pela música. Hoje, além de me apresentar, também dou aulas particulares de música. Ensino instrumentos como violão, cavaquinho, viola caipira, teclado, entre outros.

JC - É difícil ser músico no Brasil?

Luiz - A carreira é muito concorrida e, às vezes, essas concorrências são até desleais. Pessoas que estudaram, como eu, muitas vezes não têm espaço garantido por causa de “panelinhas”.

JC - Como é a sua vida longe da música?

Luiz - Quase não existe. Também sou professor e monitor de dança de salão. São atividades que me deixam leve e aliviam o estresse.

JC - Defina música?

Luiz - Teoricamente, é a arte de manifestar os diversos afetos da nossa alma mediante o som. Para mim, é o espelho da alma, só isso.

JC - Você é exigente como professor?

Luiz - Sou. Acredito que é preciso cobranças para o aluno aprender bem, claro que sem maltratá-lo. Tenho um aluno que em um mês está solando até Villa-Lobos no cavaquinho. Acredito que, para a música, não existem barreiras, o difícil de hoje pode ser o fácil de amanhã. Por exemplo, tenho um aluno que a primeira música solo que passei para ele foi “Tico-tico no fubá”, que é um choro dificílimo, passei bem devagar até ele aprender. Depois, ele conseguia pegar todas as músicas que vinham porque o difícil daquele momento se tornou o fácil de todas as músicas de amanhã. Essa é a minha interpretação, e depende da persistência do aluno, porque eu cobro sim, mas alguns são mais dedicados e têm mais talentos que outros. Quando vejo que o aluno não tem dom nato, procuro despertar esse talento nele de um outro jeito, incentivando, fazendo ele estudar, falando que se ele fizer assim, ficará daquele jeito.

JC - Qual é seu estilo musical preferido?

Luiz - Costumo dizer que o Blues é pai do Jazz, avô do Rock’n’Roll, bisavô do Rally Gally, tataravô do Funk, tetravô do Country, ou seja, ele formou a família musical.

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Perfil

Nome: Maestro Luiz Corrêa Music Show

Idade: 41 anos

Local de Nascimento: Bauru

Signo: Libra

Hobby: Ouvir música

Livro de cabeceira: Bíblia

Filme preferido: ‘Elvis e Eu”

Estilo musical predileto: Música internacional e MPB

Time: Corinthians

Para quem dá nota 10: Para meu pai e empresário Luiz Firmino Corrêa

Para quem dá nota 0: Mentira e falsidade

E-mail: lumarson@bol.com.br

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