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Doenças alimentares: perigo invisível

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Em alguns bares e lanchonetes, somente o ato de respirar já gera receio, quanto mais mastigar alguma coisa. Contudo, não é apenas nesses estabelecimentos que mora o risco da intoxicação alimentar. Ela também espreita nas gôndolas do supermercado e pode estar muito bem acomodado dentro de casa.

As chamadas DTA’s (Doenças Transmissíveis por Água ou Alimentos) são ocasionadas tanto pela maior exposição de comida à temperatura ambiente ou falta de higiene do local quanto por desleixo ou até mesmo ignorância sobre o manuseio adequado, seja nos estabelecimentos, com ambulantes, falhas na fabricação ou no descuido caseiro.

O fato é que não há nada totalmente imune à proliferação de bactérias. Exemplo disso ocorreu recentemente com uma consumidora em Santos (SP), que foi surpreendida por uma sorte de vermes dentro de uma caixinha de água de coco minutos após deixar o supermercado.

O caso, relatado num e-mail encaminhado por um leitor do JC, ocorreu com líquido embalado no que há de mais seguro em termos de invólucros alimentícios atualmente, as embalagens tetra pak, as mesmas utilizadas para acondicionar leite longa vida.

A consumidora fotografou a caixa aberta do produto, que estava dentro do prazo de validade, para reclamar junto ao supermercado e fabricante. A imagem é forte, até para os estômagos mais guerreiros.

Contudo, apesar do choque, casos assim, apesar de raros, não são impossíveis de ocorrer. É o que explica o biomédico Roberto Martins Figueiredo, o famoso “Dr. Bactéria”, da televisão. Segundo ele, nesses episódios, os fabricantes, em sua grande maioria, ressarcem o cliente.

“É uma embalagem extremamente segura, nas não é 100%. Sempre existe aquele ‘zero virgula’ alguma coisa de risco”, adverte. “Por isso é que as empresas disponibilizam o serviço de 0800. Se o cliente sente um gosto diferente, a primeira coisa a fazer é checar o prazo de validade. As empresas, imediatamente, repõem o produto”, garante. “Um micro-furo na embalagem, para uma bactéria, é o mesmo que um ‘canyon’”, ilustra.

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Dentro de casa

Invisíveis aos nossos olhos, as bactérias atacam em maior número debaixo de nosso nariz, dentro de casa. Das DTAs, 27% incidem a partir das residências, aponta levantamento da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, publicado na edição do último dia 3 de janeiro do Jornal da Cidade.

O biomédico Roberto Martins Figueiredo vai além. Segundo ele, 44% das doenças decorrentes do consumo de produtos alimentícios resultam da falta de cuidados dentro de casa.

Parte desses problemas, acentua, não é ligada necessariamente à comida feita em casa, mas aos produtos comprados prontos e consumidos muito tempo após o preparo. De acordo com Figueiredo, tanto em casa quanto na rua, o importante é consumir os alimentos comprados “saídos do forno”. “Quando a pessoa compra a comida na rua e come na hora, não há tempo para a proliferação de bactérias. Diferente de quando a comida fica um tempão em cima do fogão”, compara.

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