Porto Príncipe - “Help, Ayuda, Aide”. A mensagem de pedido de ajuda em vários idiomas pode ser vista no meio de uma de Porto Príncipe, pregada em um poste, com uma seta abaixo indicando para um quintal lotado de sobreviventes do terremoto que destruiu o país na terça-feira.
Sinais como estes estão em estradas e muros ao redor da capital haitiana, enquanto sobreviventes de um dos piores terremotos já registrados no mundo esperam por ajuda que não está chegando na quantidade necessária, se é que chega.
A assistência acontece de maneira tão caótica e a esmo que parece haver pouco planejamento central ou preocupação com os mais necessitados.
Equipes de ajuda do Ocidente que entregam pacotes de biscoitos em uma rua desistem de qualquer tipo de distribuição ordenada, atirando desordenamente por um muro a comida para o alto. A comida é alcançada apenas pelos mais altos e fortes.
Um caminhão de bombeiro se dirige para uma favela e abre a torneira, na primeira vez que muitos no local recebem água potável desde o terremoto. Em um minuto, 50 pessoas correm para o caminhão e centenas mais se dirigem para o local conforme a notícias se espalha.
Mulheres se acotovelam para chegar à torneira, fazendo com que a água se espalhe pelo chão em vez de cair em baldes vazios.
Feliz 2010
Impacientes com ruas lotadas de carros e escombros, além de outros problemas logísticos, helicópteros militares norte-americanos decolam, pousando onde houver espaço e onde veem grandes grupos de refugiados da tragédia.
Mas apesar de pacotes de comida e garrafas de água serem recebidos com satisfação, as rações militares estão criando uma grande confusão. Alguns haitianos estão simplesmente rasgando os pacotes de rações sem saber que precisam misturar água dentro deles.
Somente os mais fortes podem lutar pela água. Os fracos, os doentes, os velhos e pequenos que precisam mais dela, não têm chance.
Honore Levy afirmou que caixas de sabão que tirou de um supermercado desmoronado serão vendidas para comprar comida e água para seus cinco filhos. “Que opção eu tenho?.”
Logo acima, uma faixa colocada antes do terremoto continua pendurada sobre a rua, amarrada em dois postes que de alguma forma ficaram de pé. “A prefeitura de Porto Príncipe deseja Feliz Natal e Feliz 2010.”