Economia & Negócios

Compra de material com criança: cuidado!

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 4 min

Está aberta a rodada de negociação. Não, não se trata de nenhuma discussão sindical. O final de janeiro é o momento dos pais barganharem com filhos a compra dos itens da longa lista de material escolar. Será que a melhor estratégia é levar os pequenos à papelaria ou ir sozinho? A resposta não é tão simples, e há bons argumentos para as duas alternativas.

A empresária Denilza Ramos dos Santos, mãe de uma menina de 7 anos, prefere ir sozinha às compras. “Eu tenho só uma (filha), mas que vale por dez. Ela queria vir, mas não deixei. Ela ia querer tudo o que não pode e eu ia perder muito tempo conversando com ela, tentando convencê-la. Além do preço, que iria aumentar bastante. No começo do ano a gente já gasta demais, então tem que levar o essencial”, explica.

A questão financeira e a economia de tempo realmente são os argumentos mais recorrentes de quem opta por não levar as crianças às compras. Um estudo da empresa TNS InterSience, divulgado pela revista Isto é, serve de suporte para essa opção. Ele mostra que, no mundo inteiro, as crianças influenciam gastos na ordem de US$ 1 trilhão. Somente no Brasil, a quantia é estimada em R$ 90 bilhões.

No entanto, há quem diga que a compra do material escolar é um momento propício para ensinar aos filhos noções de economia e impor alguns limites. A dona de casa Renata Cristine Araújo Silva, mãe de uma menina de 6 anos, conta que levar a filha não é problema. “Consigo estabelecer limites e minha filha entende. Eu aproveito e explico o valor do dinheiro. Faço comparações. Digo que uma mochila custa tanto, mas que com aquele dinheiro dá pra comprar duas daquela outra”, defende.

A fisioterapeuta Valéria Gomes também leva o filho Pedro Augusto, de 9 anos, e aproveita para ensinar noção de consumo sustentável. “Antes de vir, eu vejo o que ele já tem e o que a gente vai comprar. Mochila e lancheira, eu só troco de dois em dois anos. Ele entende e até fala o que não precisa comprar”, conta.

“Eu falei que tinha pincel, mas minha mãe comprou”, diz Pedro, que está todo empolgado porque este é o ano de comprar a lancheira e ele pôde escolher uma do Ben 10, personagem de desenho animado que é febre entre os pequenos.

Para Nilo Sérgio Alves Júnior, gerente de uma loja do ramo, a participação dos filhos nas compras incentiva e motiva as crianças a estudar, mas ele frisa a importância de impor limites. “ O que tem que haver é um bom controle dos pais. Não é aconselhável deixar que o filho escolha todo o material porque a tendência é que ele opte por materiais personalizados e da moda, o que encarece a compra”, afirma.

Opinião profissional

O economista Reinaldo Cafeo acredita que a opção mais adequada é deixar as crianças em casa. “O que acontece é que o filhos têm uma percepção diferente da dos pais. Os pais têm a tendência de se concentrar na lista fornecida pela escola. Os filhos se preocupam com a lista, mas estão de olho no design e nas marcas, que às vezes chegam a custar duas ou três vezes mais que o valor do produto comum”, diz.

Quanto ao aprendizado econômico que pode ser adquirido na ida à papelaria, Cafeo é cauteloso. O economista salienta que se os pais já fazem um trabalho prévio com filhos dando mesada, conferindo gastos e ensinando o valor do dinheiro, a visita à loja pode ser uma continuidade e um bom exercício. No entanto, se nunca foi passada nenhuma informação para a criança, a papelaria não é o melhor lugar para se começar a ensinar.

Cafeo ainda dá algumas dicas para economizar na compra dos produtos. A primeira é se unir a outros pais e tentar fazer uma negociação com a loja. “Os pais têm que cooperar. Ao invés de ir na papelaria só com a lista dele, juntam dez e vão todos juntos. Comprar no volume é sempre mais barato”, explica.

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Procon

Com ou sem os filhos, a orientação do Procon é que os pais fiquem atentos aos seus direitos na hora das compras. A coordenadora da instituição em Bauru, Fernanda de Assis Martins Pegoraro, explica que as listas de material não podem especificar marcas dos produtos a serem comprados ou mesmo exagerar na quantidade pedida, além de ter que respeitar as necessidades específicas dos alunos de cada faixa etária.

“Também não podem ser pedidos materiais que não sejam de uso próprio do aluno, por exemplo, papel higiênico e folha para prova. Isso tem que ser fornecido pela própria instituição de ensino.”

O reaproveitamento do material de anos anteriores e a pesquisa de preço continuam sendo importantes. Levantamento do Procon na Capital paulista mostrou diferença de até 233% entre os preços de um mesmo produto nas lojas. O lápis preto nº 2 , por exemplo, que custava R$ 0,45 em uma papelaria, chegava a custar 1,50 em outra.

O consumidor que se sentir lesado ou precisar de orientação, pode procurar o Procon, na avenida Nuno de Assis, 14-60, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, telefone (14) 3223-1668.

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