Uma orquestra formada por moradores da cidade de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) está atraindo cada vez mais interessados em tocar viola. A lista de espera tem mais de 40 interessados. O grupo, que nasceu há um ano e meio com cinco componentes, já está com 18.
A ideia de montar uma orquestra surgiu em 2006 quando o maestro Gilson Sebastião, 36 anos, participou de um encontro de viola na cidade de Botucatu. “Eu estudei regência por cinco anos em Tatuí e quando participei do encontro em Botucatu descobri o quanto as pessoas queriam montar uma orquestra. Com o apoio do prefeito da minha cidade comecei a reunir o grupo de cinco pessoas”, disse ao JC.
Focados na música de raiz, a orquestra nem cogita acrescentar outros instrumentos musicais, segundo o maestro. “Não pretendemos acrescentar instrumentos musicais que não sejam viola. Nossa intenção é manter o ‘status’ de orquestra de viola, a única no estilo da região.”
As apresentações do grupo são um verdadeiro show, comemora o idealizador. “Os 18 componentes tocam e cantam as músicas de raiz. Músicas de Tonico e Tinoco, Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Léo dentre outros. Animamos aniversário de cidades, feiras e festa do peão, o pessoal gosta muito.”
Para tornar as apresentação típicas, o grupo usa uniforme. “Usamos chapéu, bota e camisa xadrez. Antes de cada música, um locutor conta a história do ‘nascimento’ dela, quem criou e como criou aquela melodia e letra. Nosso grupo é formado de pessoas de várias profissões. Alguns nem sabiam tocar viola e aprenderam comigo. Temos marceneiros, pedreiros, montador de móveis, motoristas dentre outros.”
Por reunir um grupo eclético de profissionais, a orquestra encontra dificuldade para ensaiar. A agenda de cada um prioriza uma determinada hora. “Todos comparecem, mas há dificuldade em conciliar horários.”
O sucesso na região incentivou o maestro a pensar em uma gravação. “Estamos com um CD que não é vendido. São 13 músicas, uma regravação de sucessos de duplas sertanejas do mesmo gênero, como Tonico e Tinoco, Pedro Bento e Zé da Estrada. O material é sorteado e levado pessoalmente nas rádios que divulgam o trabalho.”
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O termo caipira
A cultura caipira nasceu da miscigenação entre branco e o índio. De acordo com o site “Viola Tropeira”, a denominação é tipicamente paulista e surgiu da junção de uma palavra indígena. A música surgiu do cateretê, inicialmente uma dança religiosa indígena, na qual eles batiam palmas, seguindo o ritmo da batida dos pés, deu origem à “catira”. Ela passou a ser um costume de caboclos, antigamente chamados de “cabolocos”.
A região de Bauru, principalmente próximo ao rio Tietê, é um celeiro da música e da cultura caipira. Isso tem uma explicação lá no passado do Brasil Império, ainda quando os bandeirantes começaram a desbravar os sertões.
O núcleo original do caipira foi formado pela região do Alto Tietê, mas intensificou-se no quadrilátero das cidades de Campinas, Piracicaba, Botucatu e Sorocaba, no médio rio Tietê.