São Pedro, santo tradicional no período de festas juninas, nunca foi tão lembrado em início de ano como neste 2010. As tragédias em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e em São Luiz do Paraitinga, cidade histórica no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, e São José do Rio Preto, todas ocorridas por causa das fortes chuvas, fizeram muitos apelarem a São Pedro, já que lhe é atribuída a capacidade de fazer chover.
A “aliada” de São Pedro é a natureza. “Forças da natureza”, como tempestades, trovões e relâmpagos, estão sendo responsabilizadas por todas as últimas grandes ocorrências nacionais, desde apagões até alagamentos e deslizamento com muitas mortes. Enfim, ao que parece, a culpa dos nossos males vem sempre do céu. Mas quando pensávamos que havíamos ouvido de tudo, eis que em Bauru a prefeitura (secretaria própria para esses casos), ou seja, as áreas de alagamentos nas baixadas da cidade, que aliás são sempre as mesmas, resolveu também apelar ao Papai Noel, que depois do Natal (que, aliás, já passou), as áreas das baixadas estariam livres da água.
Pelo andar da carruagem (que a esta altura pode ser até da Cinderela), não vai demorar para ouvirmos que foi o Lobo Mau que assoprou demais e fez a árvore ou o barraco desabar. Enfim, ironia à parte, é claro que estas versões alucinadas para trágicas histórias interessam apenas aos políticos. Enquanto eles recorrem a santos e personagens folclóricos, o povo reclama e segue à espera de um milagre já que está cada vez mais difícil confiar na palavra dos nossos representantes. Depois de afirmar e reafirmar que o país não corria riscos de novos blecautes, o governo federal foi obrigado a voltar atrás e alegou que não tem controle sobre as forças da natureza.
Já em Bauru a cada grande chuva – que estão mais frequentes – os novos recordes dos índices pluviométricos viram justificativa para os alagamentos, congestionamentos e qualquer outro problema que possa surgir nestas ocasiões. Quem acompanhou os boletins do tempo nos últimos dias, constatou que em 2010, Bauru vive em “estado de atenção”. O céu escurece e o Centro de Gerenciamento de Emergência faz o alerta. Depois de anos e anos de muito descaso, parece que a postura agora é “não vai dizer que eu não avisei”, ou seja, não vai demorar para o cidadão que quase morre ao ter o carro submerso, ainda ser responsabilizado por estar na rua. Será que o Papai Noel só pode mesmo aparecer no Natal? O seu trenó seria de grande valia para fazer resgate nestas situações...
João Álvares - delegado regional da Associação Paulista de Imprensa - Piratininga