Regional

Gravação pode incriminar MST

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Gravação apreendida pela Polícia Civil de Bauru na operação de anteontem, com imagens de reunião feita por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante invasão à Fazenda Santo Henrique, em setembro do ano passado, pode comprovar a intenção do grupo de depredar o local e causar prejuízos ao patrimônio da Cutrale, empresa que possui uma plantação de laranja na área.

O DVD com as gravações foi apreendido com o ex-prefeito de Iaras Edilson Granjeiro Xavier, 63 anos, uma das sete pessoas detidas pela Polícia Civil na manhã de anteontem durante operação policial para cumprimento de mandados de busca e apreensão em acampamentos do MST situados em Borebi (45 quilômetros de Bauru) e Iaras (90 quilômetros de Bauru). Outras duas foram foram presas em flagrante por porte ilegal de arma.

No vídeo, o integrante do movimento diz aos sem-terra que essa é a quarta invasão ao local e orienta o grupo a causar prejuízos aos donos da fazenda. O delegado seccional de Bauru que coordenou a operação, Benedito Antônio Valencise, afirma que o material vai ser analisado. “O próximo passo agora é fazer o indiciamento (das pessoas presas). Nós estamos ouvindo outras pessoas e vamos pedir a degravação desse DVD”.

O delegado seccional revela que a Polícia Civil continua as buscas pelas dez pessoas que tiveram sua prisão provisória decretada, mas que não foram localizadas durante a operação. “Nós continuamos o trabalho de busca”, diz. “Tem que ser feito o indiciamento daqueles que estão foragidos de forma indireta”.

Em relação aos depoimentos prestados pelos detidos à polícia, Valencise prefere não adiantar detalhes. No entanto, ele confirma que, pelo menos uma pessoa, teria admitido sua participação nas acusações feitas pela justiça. “Alguns também se reservaram ao direito de permanecer calados”, afirma. Segundo o delegado, se no decorrer do prazo não forem reunidos os elementos necessários para o indiciamento dos acusados, poderá ser pedida a prorrogação da prisão dos mesmos.

Operação policial

Na madrugada de anteontem, sob coordenação do Departamento de Polícia Judiciária (Deinter-4) de Bauru, 150 policiais civis divididos em 42 equipes e 45 viaturas partiram em direção aos acampamentos do MST localizados em Borebi e Iaras para dar início ao cumprimento simultâneo de 17 mandados de prisão. Ao todo foram presas nove pessoas, sete em função dos mandados e duas em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Entre as sete pessoas com a prisão decretada pelo juiz de Lençóis Paulista, Mário Ramos dos Santos, estão o ex-prefeito de Iaras, Edilson Granjeiro Xavier (PT), 63 anos, a vereadora da mesma cidade, Rosimeire Pan D’Arco de Almeida Serpa (PT), conhecida por ‘Rose’, e o marido dela, Miguel da Luz Serpa. De acordo com a polícia, os três foram os responsáveis pela coordenação da invasão da fazenda Santo Henrique. Os detidos são acusados de invasão (esbulho possessório), subtração e destruição de bens, danos e formação de bando ou quadrilha. Entre os produtos retirados ilegalmente da Fazenda da Cutrale e localizados com os integrantes do MST nos acampamentos durante a operação estão diversos galões de fertilizantes e herbicidas usados no combate às pragas da laranja, computadores e ferramentas. As outras pessoas detidas através de cumprimento de mandado de prisão foram Máximo Alvino de Oliveiras, conhecido por “Seu Máximo”, 60 anos; Paulo Rogério Beraldo, 22 anos; Anselmo Alves Villas Boas, conhecido por “Gaúcho”, 45 anos; e Carlos Alberto da Luz Serpa, 26 anos. Os dois presos em flagrante por porte ilegal de arma de fogo são Jonas Oliveira dos Santos, 45 anos, e Laudemir Tani, 53 anos. Com eles, foram apreendidos revólveres e cartucheiras.

____________________

Situação indefinida

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou ontem que a situação da área onde está localizada a Fazenda Santo Henrique ocupada pela Cutrale permanece indefinida. De acordo com o órgão, o local é objeto de ação reivindicatória proposta pelo Incra em agosto de 2006, por pertencer a um conjunto de terras públicas da União que constituíam o antigo Núcleo Colonial Monção. “No momento, o Incra aguarda decisão da Justiça Federal sobre a posse do imóvel”, diz.

Segundo o Incra, o Núcleo Colonial Monção surgiu há 100 anos a partir de um grupo de fazendas, algumas compradas pela União e outras recebidas em pagamento de dívidas da Companhia de Colonização São Paulo/Paraná que construiu a estrada de ferro no Norte do Paraná. No total, essas fazendas somavam aproximadamente 40 mil hectares, abrangendo parte dos municípios de Agudos, Lençóis Paulista, Borebi, Iaras e Águas de Santa Bárbara.

“Em 1997, foi proposta a primeira ação reivindicatória, relativa à fazenda Capivara, em Iaras. O Incra obteve de imediato a tutela antecipada de 30% do imóvel, o que resultou na criação do assentamento Zumbi dos Palmares em 1998. Em 2007, a Justiça Federal imitiu o Incra na posse da totalidade do imóvel (8 mil hectares)”, afirma.

Comentários

Comentários