Os advogados dos acusados disseram ontem que não poderiam comentar sobre a gravação divulgada pela Polícia Civil, onde um integrante supostamente orienta os sem-terra a causar prejuízos aos donos da fazenda Cutrale. “Não tivemos acesso ao material.”
Os advogados dos acusados Miguel da Luz Serpa, Edilson Granjeiro Xavier, Paulo Rogério Beraldo e Rosimeire Pan D’Arco de Almeida Serpa, voltaram a reclamar da dificuldade defazer a defesa de seus clientes. Segundo o advogado Jorge Antônio Soriano Moura, somente na tarde de ontem, ele e mais dois advogados conseguiram ter acesso ao inquérito que apura o caso. “Só que, no inquérito, não consta o pedido de prisão que o delegado fez”, afirma.
Segundo ele, os mandados de prisão concedidos pela justiça contra seus clientes fazem parte de um processo crime que tramita pela Vara de Justiça de Lençóis Paulista. “Na nossa avaliação, são prisões ilegítimas pelo fato das pessoas que foram presas serem figuras públicas do movimento de luta pela terra e serem pessoas que se organizam para que os invasores de terras públicas devolvam elas ao governo para dar para reforma agrária”, revela. “Essas pessoas não interessam aos latifundiários e, por isso, são perseguidas politicamente”.
“O maior problema é que a gente está tendo muita dificuldade, juridicamente falando, de conseguir constituir a defesa porque nos são dificultadas toda e qualquer informação”, reclama.
Hoje eles prentendem ir logo no início da manhã para Lençóis Paulista conversar pessoalmente com o juiz, que concedeu o pedido de prisão dos sete acusados.
Os advogados afirmam que esperam conseguir ter acesso à motivação das prisões para, o quanto antes. Depois disso pretendem entrar com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo.