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Quadrilha aplicava golpe do boleto

Folhapress
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São Paulo - A Polícia Civil afirmou ontem ter desarticulado um grupo suspeito de aplicar o chamado “golpe do boleto” em São Paulo. Entre a tarde de anteontem e a manhã de ontem, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão, apreendeu 18 computadores, documentos e deteve 20 pessoas, que foram levadas à delegacia para depoimento.

Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, os suspeitos são investigados por oferecer serviços gratuitos a empresas em nome de associações e sindicatos e, depois, enviar boletos de cobrança, sob ameaça de levar o caso ao Serasa e ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Os valores dos boletos variavam entre R$ 100,00 e R$ 500,00.

As associações eram legalmente registradas e supostamente ofereciam serviços de assessoria contábil, jurídica e financeira. O alvo principal eram empresas de pequeno e médio porte. “A pessoa pagava pensando que estava se afiliando a um sindicato ou a uma associação oficial, mas que na realidade não oferecia nada em troca. Eles vendiam fumaça”, afirmou o delegado Paulo Roberto Robles, chefe da Divisão de Crimes Contra o Consumidor, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

O golpe também era aplicado por meio da oferta de serviços de publicidade em listas telefônicas. As supostas empresas de anúncios mandavam um fax para as empresas pedindo uma resposta, também via fax, com a confirmação dos dados, carimbo e assinatura do responsável. Com essas informações, eles falsificavam um contrato de prestação de serviço e passavam a enviar os boletos mensais de cobrança.

Nos endereços onde foram cumpridos os mandados de busca e apreensão, policiais descobriram mais de três empresas funcionando num mesmo local. Foram encontrados também roteiros pré-definidos para a oferta dos serviços, nos quais as funcionárias diziam que os serviços eram gratuitos. Também houve apreensão de boletos que descreviam os serviços como facultativos e gratuitos.

As reclamações sobre o “golpe do boleto” começaram em 2006 em todo o Brasil. A polícia estima que centenas de empresas foram lesadas e ainda não apontou o possível valor do prejuízo causado pelo golpe.

As empresas envolvidas no esquema são acusadas dos crimes contra a economia e relações de consumo, estelionato e emissão de duplicatas simuladas. A polícia instaurou inquérito para identificar os possíveis responsáveis pelas sete empresas suspeitas.

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