O mestre de Nazaré, em sua escola, com seus discípulos, foi progressivamente gestando um novo jeito de olhar e ver, de ouvir e escutar, de aproximar-se, deixar-se tocar e relacionar-se com as pessoas à luz da pedagogia de Jesus. O mestre de hoje também é chamado a auxiliar no processo de lapidação da alma,de educação do espírito humano. Em contexto de ideologia pós-moderna, que engendrou a morte das utopias e o reino da desesperança e do desencanto, uma primeira tarefa fundamental do educador é colocar-se a serviço da vida, alimentando a esperança e a utopia.
Nossa morada não pode ser reduzida ao momento histórico atual. É à luz de um horizonte maior que nós nos movemos e é a partir dele que tomamos as decisões cotidianas. Nesse sentido, o educador faz parte da corrente esperançosa do mundo, que acredita na possibilidade do ser, conviver e fazer diferente. A sua presença já é presença de motivação existencial, de compromisso político-libertador.
Em meio à morte das utopias, do império do débil e do light, da "curtição" narcisista do momento... o educador visa educar para um projeto maior de vida, para o que realmente satisfaz a alma humana e não somente à satisfação do desejo desenfreado de consumidores, que tudo reduzem a objeto de experimentação e nele se perdem.
O projeto de vida maior, para o qual pretendemos educar, deve considerar, fundamentalmente, as gerações futuras que ainda não nasceram. Essa capacidade de perceber que tudo é possível faz do educador um profeta, que sinaliza para os desafios da história, para as possibilidades de vida num amanhã igualmente possível. Em meio ao individualismo, educar para o coletivo; em meio à violência crescente, educar para o respeito e a promoção das diferenças, dos bens públicos... educar para o convívio responsável e solidário.
Essa educação, amados educadores, não se faz no plano teórico. É preciso possibilitar experiências cotidianas concretas nas quais a pessoa possa se flagrar em suas atitudes excludentes e deixar-se lapidar por si e pelos outros. O educador deve estar atento à dinâmica da vida, muitas vezes esquecida em função de planejamentos curriculares alheios, à vida cotidiana, aos desafios existenciais mais profundos.
Trata-se de ser educador de gente "gente educando gente". Precisamos urgentemente de muitos e muitos educadores que tenham bebido da mística e espiritualidade do homem de nazaré e que, portanto, percebam a dimensão divina do humano. Quando sou capaz de ver no outro um irmão, uma irmã, no que isso implica em profundidade de laços, a minha ação educativa necessariamente será outra, existencialmente compromissada.
Todos somos inacabados, em construção. Chamados a construir ou conquistar o nosso ser pessoal, individual e coletivo somente os humanos têm a faculdade de conceber o ideal, de acrescentar algo ao real; de conferir sentido à existência. Eis o papel do educador, motivador e facilitador desse processo. A presença efetiva do educador é a presença de uma espiritualidade que sabe cuidar das coisas e das pessoas. Esse amor que cuida busca outros jeitos, imagina, explora possibilidades ainda ausentes, constrói unidade, antecipa o possível. Educadores, não se desmotive nunca!
Maria Nascimento