Pela primeira vez na história do Carnaval da cidade, Bauru terá duas rainhas. Ontem, foi coroada além da tradicional monarca, a Rainha da Diversidade, Naomi Sayox. Mas, na verdade, o título veio depois de uma tentativa de concorrer ao concurso original. Naomi se inscreveu para o concurso e estava no páreo para disputar a coroa e o cedro.
“Cheguei lá ontem pela manhã para o ensaio e conheci as outras candidatas. No começo não fui bem recebida, mas depois interagi com elas, e tudo bem. Quando eu estava saindo do ensaio, me ligaram, pediram para voltar com o presidente do bloco e disseram que queriam falar coisa boa para mim. Me propuseram de eu ser a rainha drag, porque se eu concorresse com as meninas e se eu ganhasse, não ia poderia pegar o título e descer o Sambódromo. Falei que era uma forma preconceituosa de agir. Eles disseram que queriam me enfatizar como drag. Perguntei se teria as mesmas regalias que a rainha e falaram que não. Então disse que preferia participar. Aí depois ligaram e falaram que tudo bem, que terei o mesmo status”, afirma.
Apesar do convite, Naomi queria concorrer com as mulheres. “Mas aceitei porque eles vão abrir um espaço diferente, para uma rainha que não tem aqui em Bauru”, diz. Para o presidente da Associação Bauru pela Diversidade, Marcos Souza, Naomi deveria concorrer. “Ela fez inscrição. Ela vai fazer as mesmas coisas que a rainha do Carnaval vai fazer. Vai participar dos mesmos eventos oficiais. Na minha opinião foi bacana por um lado, mas por outro deixou a desejar porque todo mundo queria ver ela disputando, concorrendo ao título. O fato de tirar ela da jogada que não foi bacana”, afirma.
O secretário municipal de Cultura, Pedro Romualdo, informa que ninguém proibiu Naomi de disputar o título. “Eles resolveram lá. Teve problema com as meninas. Não é que não deixaram, ela que quis. Ninguém proibiu nada. Ela prefere que ela seja a rainha da Diversidade. Talvez para o ano que vem a gente faça a escolha da rainha da Diversidade. O nome da é ‘Carnaval de Todos’. Nós não influenciamos em nada. Foi um acordo entre eles.”