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Caros, combustíveis caem 8% nas vendas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

O advento dos carros flex trouxe consigo a promessa de se tornar uma grande arma dos consumidores contra os preços abusivos nas bombas de combustível. Mas, com o valor da gasolina situado entre os mais altos do mundo e o litro do álcool alcançando custos jamais vistos, muitos motoristas de Bauru já estão optando por deixar o carro em casa.

É o que constata o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Edivaldo Tuschi. De acordo com ele, a venda dos dois tipos de combustível nos postos da cidade caiu cerca de 8% em janeiro deste ano, em relação ao mesmo mês do ano passado.

Se comparada a dezembro de 2009, a queda é ainda maior: 28%. “A diminuição no movimento de clientes é normal no começo do ano, porque em dezembro as pessoas costumam viajar mais. Mas não da maneira como caiu agora. Este é um reflexo do ano atípico que tivemos”, observa Tuschi.

O diretor se refere ao aumento sem precedentes no preço do álcool nos últimos nove meses. No período, o combustível ficou 90% mais caro em Bauru, já que, em abril do ano passado, chegou a ser vendido por R$ 0,99. Apenas nos últimos 30 dias, a alta foi de quase 12% e a tendência é que os preços não caiam pelo menos até o final de março.

Segundo argumentam os representantes de indústrias de cana-de-açúcar, a alta foi motivada pelo excesso de chuvas na época de colheita, o que obrigou as máquinas a ficarem paradas por cerca de 20 dias além do normal. Os temporais também teriam piorado a qualidade da cana, que se desenvolveu com menos sacarose, contribuindo para que a produção de etanol fosse reduzida em 1,8 bilhão de litros. A quantidade equivale ao consumo nacional de um mês.

Outro fator que teria colaborado para a escassez do álcool e seu consequente encarecimento seria a preferência dos empresários do setor em produzir açúcar para abastecer o mercado externo, considerado muito mais interessante. Neste cenário, em 2009, 2,76 milhões de carros flex foram licenciados no Brasil e, com o aumento da demanda por álcool, todas as condições foram estabelecidas para que o preço do combustível fosse majorado nas bombas.

Em 13 de janeiro, o litro do etanol chegou a R$ 1,89 e se tornou desvantajoso frente à gasolina. Mas optar pelo segundo combustível não pode ser considerado um grande negócio para o consumidor, já que o litro é comercializado por R$ 2,59 na maioria dos postos de Bauru. “A gasolina brasileira é a mais cara do mundo. É o mesmo preço da Alemanha, que produz um combustível de qualidade duas vezes melhor que aqui”, afirma Tuschi.

Ele explica que o preço da gasolina no Brasil chegou a este patamar em razão da carga tributária elevada que incide sobre ela. “O preço de custo para a sua produção é de R$ 1,05, quase o mesmo do álcool, que é de R$ 1,09. Mas a sua formação de preços é diferenciada”, comenta. Os impostos, segundo o diretor, representam 53% do preço da gasolina ao consumidor final, ou R$ 1,37 por litro, se considerado os R$ 2,59 praticados atualmente.

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Consumidores buscam alternativas

Em tempos de combustíveis com preços nas alturas, quem precisa viajar para longas distâncias sofre na hora de encher o tanque. Para minimizar os prejuízos, há quem prefira viajar de ônibus ou recorrer a um hábito bastante antigo, que volta a ganhar força em nome da saúde financeira: a carona.

O bancário Marcelo Ferreira Antunes, 26 anos, é um deles. Há três meses, ele comprou um carro e logo se deu conta da dificuldade para bancar as viagens frequentes até São Paulo, onde vive sua família. “Para ir e voltar, eu gastava em torno de R$ 190,00, sendo R$ 100,00 só de combustível”, lembra. Hoje, através de anúncios em uma comunidade de um site de relacionamentos, ele quase não tem custo nenhum e ainda colabora com pessoas que possuem carro, mas preferem ir com ele para reduzir as despesas.

“Uma vez dei carona a uma engenheira que vinha de São Paulo para visitar uma obra em Bauru. Não são apenas estudantes que pegam carona, mas também profissionais com a vida já estabelecida. Geralmente, o carro vai cheio”, relata.

O estudante universitário Glauco Guidi de Souza, 26 anos, também oferece carona na mesma comunidade, mas conta que, mesmo tendo carro, às vezes prefere viajar de carona. “Quando eu percebo que não vai ter muita gente para ir comigo e dividir as despesas, vou com algum amigo. O que não dá é para pagar tudo sozinho, fica muito caro”, revela.

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Gasolina pode subir hoje

Os proprietários de carros flex que estão abastecendo com gasolina devem ficar atentos a partir de hoje. Nesta segunda-feira, o preço cobrado pela gasolina poderá sofrer aumento e a vantagem que ela apresenta hoje sobre o álcool, se reverter.

A possível mudança se deve à determinação do governo federal em reduzir o percentual de álcool anidro adicionado ao combustível, de 25% para 20%, portaria que entra em vigor a partir de 1.º de fevereiro. A decisão perdura até o final de abril e visa aumentar a quantidade de etanol disponível para o mercado até o início da safra da cana-de-açúcar.

Com a gasolina mais concentrada, o repasse de custo parece ser irrevogável, mas Tuschi acredita que o governo poderá absorver este aumento. “Não existe nenhuma sinalização oficial neste sentido, mas é algo que a gente espera que aconteça. Se a gasolina subir ainda mais, o comércio fica impraticável, ninguém compra”, comenta.

Com ou sem o aumento, o dono de carro flex deve ter sempre uma calculadora em mãos para fazer as contas e decidir pelo combustível que menos onere o orçamento. Para concluir qual é a melhor escolha, basta dividir o preço do litro do álcool pelo preço da gasolina. Se o resultado for maior que 0,7, o consumidor deve optar pelo segundo combustível. Se o resultado for inferior, é melhor ficar com o álcool.

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