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DI recupera parte de perdas de 2009


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São Paulo - A taxa básica da economia brasileira, a Selic, ainda não começou a ser elevada pelo Banco Central. Mas os fundos DI, que são os que seguem mais de perto a oscilação da Selic, já têm atraído expressivo volume de recursos. Até o dia 26, R$ 3,76 bilhões líquidos foram aplicados nesses fundos.

A forte entrada coloca os fundos DI, ao lado da renda fixa, entre as categorias que mais atraíram capital até o momento no ano. A renda fixa já recebeu R$ 7,24 bilhões. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Essas são as duas categorias do mercado de fundos que acompanham com maior intensidade as oscilações dos juros. Assim, serão beneficiadas pelo esperado aumento da Selic, que está em 8,75% e, segundo projeta o mercado, pode chegar a 11,25% no fim do ano.

Para o DI, o resultado registrado até aqui representa a recuperação de boa parte dos recursos perdidos em 2009. A categoria foi a mais punida no ano passado, tendo sofrido saques líquidos de R$ 5,16 bilhões.

Na opinião de Fabio Colombo, administrador independente de investimento, o fato de a Bolsa estar em um momento pouco animador também tem reflexos na entrada mais forte de recursos nos fundos.

“O DI costuma ser uma aplicação que os investidores buscam em momentos de incertezas e reavaliação, como ocorre atualmente em decorrência das rápidas perdas sofridas no mercado acionário”, diz.

Para ele, o fato de os bancos estarem oferendo taxas menos apetitosas nos CDBs também contribui para o movimento. “À medida que os CDBs vão vencendo e os investidores vão encontrando taxas menos interessantes oferecidas pelos bancos, é esperado que olhem com mais atenção para os fundos.”

A Bolsa de Valores iniciou 2010 no vermelho -sofreu desvalorização de 4,65% no primeiro mês do ano. Mesmo assim, os fundos de ações não sofreram debandada. A categoria registrava captação líquida (diferença entre saques e aplicações) de R$ 1,29 bilhão até o dia 26. Quem tem perdido recursos são os fundos multimercados, que têm como particularidade misturar ações com títulos que rendem juros. A saída líquida de recursos dos multimercados alcança R$ 5,35 bilhões.

Além do DI e da renda fixa, outra grande categoria que paga juros são os CDBs. Mas as taxas oferecidas pelos CDBs dependem de cada banco. Um fundo DI, pelo elevado volume que carrega em sua carteira de títulos públicos atrelados a juros, acaba por acompanhar mais de perto a variação da Selic. No caso de um CDB, mesmo que os juros básicos subam, o banco pode não querer elevar a taxa que oferece pela aplicação.

Quem já entrou em um fundo DI terá a chance de aproveitar toda a elevação esperada para a Selic no ano. O mercado trabalha com a expectativa de que o início do período de elevação dos juros está próximo. “(Está) clara a intenção do Copom de dar início ao ciclo de alta dos juros em breve. A questão em aberto é se a alta deve ocorrer em abril ou ser antecipada para março”, afirmou Maristella Ansanelli, economista-chefe do banco Fibra.

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