A confirmação, ontem, de mais dois casos de dengue em Bauru, sendo um autóctone (contraído na própria cidade) acendeu a luz amarela na Secretaria Municipal de Saúde. Preocupada com o risco de uma epidemia da doença – já são cinco casos neste ano na cidade -, a pasta anunciou que a partir de hoje mudará a estratégia do trabalho nas regiões com registros de casos de dengue. Se a vistoria do imóvel for dificultada, o responsável será notificado e ficará sujeito a multa que varia de R$ 250,00 a R$ 2,5 mil.
Para isso, as equipes de agentes de endemias passarão a ser acompanhadas por fiscais do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). De acordo com a Vigilância Sanitária, a medida tornou-se necessária face à dificuldade de acesso aos imóveis devido recusa, por parte dos responsáveis, e terá início pelas regiões dos bairros Vila Lemos e Jardim Bela Vista, onde foi confirmado o último caso autóctone de dengue - de uma mulher de 47 anos - e onde também existem casos suspeitos da doença.
O outro caso de dengue confirmado ontem é importado de São José do Rio Preto. O paciente é um homem de 44 anos. Com estas confirmações Bauru passa a registrar, neste ano, cinco casos de dengue, sendo um autóctone e quatro importados. Durante todo o ano de 2009 foram 23, sendo 19 autóctones. Nos últimos anos, a pior epidemia foi em 2007, com mais de 2 mil pessoas infectadas.
Por causa da alta incidência de dengue, a cidade de Ribeirão Preto (200 quilômetros de Bauru) está fazendo mutirão de combate à doença. Lá, neste ano mais de 500 pessoas já foram infectadas. Em Marília (100 quilômetros de Bauru) já foram confirmados 13 casos de dengue neste ano. E em todo o Estado do Mato Grosso, mais de 9 mil pessoas contraíram a doença em janeiro, das quais 11 morreram.
Parte da população pode não dar muita atenção à dengue, achar que é uma doença semelhante à gripe, mas quem já foi picado pelo mosquito Aedes aegypti contaminado sabe bem que a coisa é séria. “Eu fiquei de cama por duas semanas. As dores nas juntas era tão fortes e a febre tão alta que eu levantava só porque minha mãe e irmã ajudavam”, contou recentemente ao JC Márcio Rodrigo Belin, 29 anos, que teve dengue há cerca de um ano.