Internacional

Americanos responderão por sequestro

Folhapress
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Porto Príncipe - O advogado dos dez americanos presos na sexta-feira passada no Haiti informou ontem que todos foram indiciados pelos crimes de sequestro de menores e associação para o crime perante a Justiça haitiana. Segundo Edwin Coq, o grupo ouviu a decisão em um tribunal e, na sequência, foi levado a uma prisão da capital do país, Porto Príncipe. Agora, um juiz irá decidir se eles aguardam o avanço do processo presos ou em liberdade.

O relato de Coq contraria o de um advogado dos americanos da República Dominicana, para quem nove de seus dez clientes seriam soltos.

O grupo de americanos faz parte da igreja batista New Life Children’s Refuge. Eles tentavam atravessar a fronteira entre Haiti e República Dominicana com 33 crianças com idades entre dois meses e 12 anos quando foram presos por falta de documentos. Depois, as autoridades haitianas descobriram que algumas das crianças tinham parentes vivos, após o terremoto de magnitude 7 que devastou parte do país no último dia 12.

Longe dos trâmites do processo, pais na vila de Callebas, próxima à devastada capital haitiana, disseram que deram seus filhos ao grupo de boa vontade, confiando nos missionários americanos que teriam prometido levá-los para uma vida melhor, longe do país seriamente abalado pelo terremoto do mês passado. As histórias contradizem as afirmações da líder do grupo de batistas, segundo quem as crianças vieram de orfanatos ou foram entregues por parentes distantes.

Os missionários negam as acusações de tráfico infantil, e dizem que a intenção era apenas ajudar as crianças. “Os norte-americanos são missionários, eles foram ingênuos. Eles não tinham ideia de que estavam violando a lei. Estavam agindo de boa fé e simplesmente quiseram ajudar”, disse o advogado Edwin Coq.

Ontem, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse considerar “lamentável” que os americanos tenham “assumido as coisas com as próprias mãos” e garantiu que Washington mantém “discussões com o governo haitiano sobre a disposição apropriada do caso deles”.

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