Bairros

Customização dita produção de figurinos

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 6 min

Início de ano é sinônimo de expectativa e correria para os blocos e escolas de samba de Bauru. Isso porque é logo nos primeiros dias de janeiro que o Carnaval de Bauru começa a dar avisos de sua proximidade.

Nos últimos anos, a indecisão por parte da administração municipal da cidade a respeito da realização dos desfiles tem feito com que os preparativos fiquem cada vez mais para a última hora. E quando o quesito é produção de fantasias, falta de tempo e pouco incentivo financeiro podem significar preocupação extra e noites sem dormir para foliões e carnavalescos.

Reaproveitar materiais utilizados em outros anos ou guardados em estoque foi a tática adotada pela maior parte das escolas de samba e blocos que animarão o Sambódromo Municipal de Bauru no próximo dia 14.

Sem cogitar a hipótese de ficar de fora da festa por conta da falta de verba, a Azulão do Morro colocou a imaginação para funcionar assim que ficou sabendo do apoio da prefeitura. “Logo que tivemos a notícia, aceleramos a produção e chegamos a ficar noites sem dormir para dar conta dos preparativos. Agora é rezar para que tudo fique pronto até o dia do desfile”, explica, ansioso, o carnavalesco Ricardo Caleda, 27 anos, para quem o principal desafio é desenvolver fantasias simples e bonitas dispondo de pouco tempo e dinheiro.

Conchas, peixes e cavalos-marinhos que há tempos estavam guardados no depósito de materiais da escola, localizado no Parque Jaraguá, serão reaproveitados para o desfile deste ano, que tem como tema o fundo do mar.

“Aqui a ordem é transformar. Para se ter uma ideia recebemos uma doação de uma grande quantidade de tampinhas de perfume, então decidimos usá-las para representar bolhas nas fantasias”, explica Ricardo.

Quem também lançou mão do estoque para garantir presença na avenida foi a Acadêmicos do Cartola, que vai entrar no Sambódromo Municipal de Bauru graças ao material intacto acumulado nos anos anteriores. Pachoal Storniolo, 53 anos, presidente da escola, estima que seriam necessários cerca de R$ 40 mil para a produção, caso a agremiação não contasse com o material guardado.

A boa organização já surtiu resultados ao possibilitar que a escola se permitisse alguns luxos, como a utilização de plumas (material que custa cerca de R$ 1.400,00 o quilo) em todas as alas.

A colaboração dos foliões na confecção de fantasias também soma pontos para a Cartola. “Todos os dias, após o horário comercial, o barracão recebe cerca de 30 pessoas que ajudam na produção. Isto é ótimo porque podemos trabalhar com tranquilidade. Eu crio as fantasias e os ensino a fazer, não tem segredo”, conta o carnavalesco José Horácio Gonçalves, que se dedica ao Carnaval há 30 anos.

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Festa garantida

Ficar sem desfilar estava fora de cogitação por grande parte dos blocos de Bauru. A estreante Unidos do Samba, por exemplo, iniciou os preparativos em abril do ano passado para garantir presença na folia do Carnaval deste ano.

Festas, rifas, bingos, dentre outros eventos promovidos pela agremiação, agitaram 2009 e contabilizaram uma renda suficiente para que a escola comprasse instrumentos e produzisse belas fantasias.

“Começamos a confecção em setembro e ainda temos muito trabalho pela frente. Nossa principal dificuldade tem sido tirar as fantasias do papel e reproduzi-las em um grande número”, identifica o carnavalesco Cézar Hokamura, 21 anos.

A antecipação também foi a tática adotada por Junior Ellero, 46 anos, carnavalesco da Acadêmicos de Tibiriçá. Para colocar o bloco na briga pelo título de campeão, ele optou por comprar os materiais faltando seis meses para o Carnaval.

Segundo ele, a estratégia significou a redução do gasto pela metade. As plumas e os paetês, que estão na lista dos materiais mais utilizados nas produções do carnavalesco, foram os itens que apresentaram a maior diferença de preço. As plumas, por exemplo, que na temporada de Carnaval custam, em média, R$1.400,00 o quilo, custaram R$ 800,00 com a antecipação das compras por Junior.

Unanimidade a todos os blocos e escolas de samba é a opção por fazer a compra dos materiais em São Paulo, local onde é possível encontrar maior variedade e melhores preços. Segundo as agremiações, a viagem compensa, mesmo com os pedágios e o gasto com combustível.

“Aqui um tecido com paetê custa, em média, R$ 8,00 o metro, lá é possível encontrar o mesmo material por R$ 3,50”, compara Cézar, que viajou na última semana para a Capital para completar o estoque do bloco.

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Brilho, leveza e muita cor

Se depender das escolas de samba e blocos de Bauru, roupas multicoloridas e impregnadas de brilho prometem ganhar o Sambódromo Municipal de Bauru na noite do próximo dia 14. A justificativa é simples por parte de todas as agremiações entrevistadas pela reportagem do Jornal da Cidade: brilho e cor são itens obrigatórios e características fundamentais para qualquer fantasia de Carnaval.

O diferencial fica por conta das novidades tecnológicas usadas por cada concorrente ao título de campeã do Carnaval de 2010 da cidade. Junior Ellero, 46 anos, carnavalesco da Acadêmicos de Tibiriçá, optou por agregar luz às fantasias para chamar a atenção do público.

“A ideia é bem legal, só que teremos de correr o risco para saber se na hora do desfile ela terá o efeito esperado”, considera ele, exibindo um acessório para cabeça, feito de vidros e iluminado por leds, que ganha destaque dentro do quarto escuro da residência sede do bloco, localizada no Centro.

O etafon (uma espécie de isolante térmico) é a aposta de José Horácio Gonçalves, 60 anos, responsável pela criação das fantasias da Acadêmicos do Cartola. A inovação, segundo ele, será o carro-chefe na produção das roupas e substituirá as pesadas armações de ferro e arame. “Com uma fantasia mais leve, o folião aproveita melhor o desfile e, consequentemente, ganha pontos para a escola no quesito animação”, analisa.

Criar uma espécie de produção cinematográfica é a intenção de Cézar Hokamura, 21 anos, carnavalesco do bloco Unidos do Samba. Para ele, a passarela do samba merece fantasias grandiosas. “As roupas precisam se destacar, elas são tão importantes quanto o figurino dos atores de um filme”, resume.

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Ecologicamente correta

A fantasia da porta-bandeira Aparecida de Brito Caleda, 49 anos, presidente da Azulão do Morro, promete chamar a atenção do público local não somente pela beleza, mas pelo fato de ser toda confeccionada por meio do reaproveitamento de caixas de leite.

A intenção, segundo ela, é driblar a falta de verbas e ir ao encontro das preocupações atualmente vividas por todo o planeta, incentivando a reciclagem de materiais.

“Tudo pode ser transformado. Quem diz, por exemplo, que esta fantasia é feita com caixas de leite?”, questiona Aparecida, exibindo uma parte do figurino que irá compor a saia da fantasia, que pesará aproximadamente 25 quilos.

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