Neste final de semana Bauru sediou a 3ª etapa do XIV Campeonato do Núcleo Bauruense do Quarto de Milha (NBQM) no Recinto Mello de Moraes, abrindo a temporada 2010 dos grandes eventos hípicos com provas de três tambores e seis balizas.
A região de Bauru é considerada um polo esportivo para os envolvidos com o esporte. Camila Shayeb, presidente do Núcleo Bauruense do Quarto de Milha, estima que num raio de 50 km, haja mais de 30 centros de treinamento e centenas de proprietários. “Não sabemos exatamente quantos proprietários existem na região, mas os principais e mais tradicionais do meio, responsáveis pelos melhores cavalos, são daqui”, ressalta. Para os competidores, uma das vantagens das provas acontecerem em Bauru é a localização, em razão da presença de rodovias que ligam a cidade a outros estados.
O esporte, que recebeu o nome de hipismo rural por ter sido inspirado em práticas no campo, surgiu na década de 1970 em fazendas brasileiras. Hoje é considerado uma das práticas esportivas mais completas da categoria, conquistando milhares de competidores por todo o país.
No hipismo rural, cavalo e cavaleiro precisam estar sintonizados para juntos enfrentarem provas de baliza, tambor e salto, além de vencer obstáculos e superar medos. Apesar de ainda não ser um esporte olímpico como o hipismo clássico, o rural serve como base para as outras modalidades porque o cavaleiro aprende a ser ágil, versátil e corajoso. De acordo com Vagner Simionato, treinador profissional há 30 anos, disciplina, treino, determinação e coragem são características essenciais para quem deseja se tornar adepto do esporte com bom desempenho nas competições.
Para competidores, ao contrário do que muitos podem pensar, o hipismo rural não é esporte elitizado. José Armando de Oliveira Santos, treinador há 22 anos, explica que para praticar o esporte não é necessário ter um cavalo. “Os proprietários e centros de treinamento permitem que a pessoa treine e compita com seus cavalos. É como qualquer outro esporte: a pessoa vai para o treino aprender, praticar e, quando estiver pronta, vai para a competição com o cavalo de alguém. Se ganhar a prova, o prêmio é dividido, já que o proprietário é responsável por todos os custos do animal”, explica Santos.
Além de promover melhor condição física, a prática do esporte e a participação em competições contribui para uma vida social mais agradável e sadia. “O hipismo rural aproxima pessoas e em nosso meio somos todos iguais. Não há nenhum tipo de distinção. Dificilmente alguém compete por dinheiro. As pessoas vêm para as provas buscando a convivência com outros competidores. Aqui nos sentimos bem, felizes e é um excelente ambiente familiar”, completa Shayeb.
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Da pista à universidade
Marta Herweg é motivo de orgulho para a família. A jovem, campeã em diversas modalidades no hipismo rural, acaba de conquistar mais um título: o de universitária.
Nesta semana, Marta recebeu a notícia de que foi aprovada no curso de Design da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, e no curso de Arquitetura da Univerdade de São Paulo (USP), campus de São Carlos (SP).
A jovem ainda não decidiu que curso escolherá, já que o fato de ficar longe dos cavalos e dos treinos é uma decisão dura para ela. Para a jovem, os anos de treino e de convivência com os cavalos fizeram toda a diferença no resultado do vestibular.
“Como treino desde pequena, sempre fui muito disciplinada e concentrada nas coisas que fazia. Competindo aprendi a ganhar e perder, a lidar com a pressão, com o nervosismo e a ansiedade e o vestibular é uma competição, por isso me preparei e fui fazer as provas confiante. Minha experiência com os cavalos realmente ajudou porque não me senti nervosa em nenhuma das etapas da prova”, ressalta.