Desde o Período Regencial (1831-1840), o café garantia grandes lucros ao Brasil, mas foi no Segundo Império (1840-1889) que a produção atingiu o seu apogeu. Hoje, o País é o maior produtor, com participação de 30% a 40% na produção mundial (na última safra, foram destinados 2 milhões de hectares para a plantação do grão e produzidos 40 milhões de sacas; deste total, 28 milhões foram destinadas às exportações). Na região Centro do Estado de São Paulo, a cultura chegou no século XX e, apesar da insatisfação com o cenário atual de perdas do qual fazem parte – nos últimos 13 anos, o prejuízo calculado foi de US$ 28 milhões – os cafeicultores ainda movimentam a economia de muitos municípios próximos a Bauru.
A história revela que a ascensão do café estimulou uma onda de empreendimentos urbanos, como a instalação de indústrias e bancos, além da expansão das linhas férreas. No Estado de São Paulo, o período que compreende as duas últimas décadas do século XIX e o início do século XX marca o fortalecimento do trinômio: cultura cafeeira, expansão ferroviária e crescimento populacional (imigração). A ferrovia Noroeste do Brasil, que liga as cidades de Bauru e Corumbá (MS), começou a ser construída em 1905 e tem 1.272 quilômetros de extensão.
Em Garça (77 quilômetros de Bauru), uma das cidades que mais se destacam no cultivo do grão na região, há em torno de 600 cafeicultores, de acordo com informações do Sindicato Rural do município. Para a próxima safra, a área destinada ao plantio foi de 13 mil hectares. Segundo o presidente da instituição, Alberto Baracat, devem ser produzidas 300 mil sacas em Garça e 500 mil na região.
Já em Torrinha (104 quilômetros de Bauru) são 1.460 hectares destinados ao café, distribuídos em 360 propriedades. A cultura tem grande peso econômico na cidade, de acordo com a engenheira agrônoma Alda Rodrigues de Almeida, responsável pela Casa da Agricultura ligada à Coordenadoria de Assistência Técnica Integral da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (Cati), a produção da última safra foi de 40 mil sacas beneficiadas.
Segundo Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru e representante dos produtores brasileiros no setor privado da Organização Internacional do Café (OIC), há cinco anos, a região chegou a ter 200 mil pés de cafés. “Mas, a produção tem diminuído e cedido espaços a outras culturas, como a de cana-de-açúcar. Um dos motivos é a descapitalização do cafeicultor. Com a valorização do real, ficou difícil importar”, revela. “Hoje, só mantém o café quem não tem outra alternativa agrícola”, acrescenta.