Regional

Produtores de Garça vivem do mercado interno

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Desde o fechamento da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Garça (Garcafé), em 2005, os cerca de 600 produtores da cidade sobrevivem do mercado interno. “Quando a cooperativa existia, éramos referência regional de mercado, mas hoje não somos mais. Estamos vendendo apenas para o comércio local, ninguém mais exporta. Com isso, obtemos preços menores”, revela Alberto Baracat, presidente do Sindicato Rural do município.

Para a próxima safra, foram destinados 13 mil hectares para o cultivo de café – segundo dados do sindicato, dos 850 produtores rurais de Garça, 600 se dedicam à cafeicultura e, 76% destes atuam em propriedades rurais com área menor de 50 hectares. Atualmente, no local em que funcionava a Garcafé o município fez um contrato de aluguel com a exportadora Olam Armazéns Gerais, grupo indiano que atua em 56 países.

Segundo o presidente da Cooperativa liquidante (que atua na tentativa de reativar a Garcafé), José Wilson Lopes, a exportadora compra o café produzido no município e vende para outros países. “Falta aos cafeicultores locais uma cooperativa que possa intermediar essa exportação, assim o lucro será maior. Hoje, a área do café representa mais de 50% de toda a arrecadação do município”, revela. Baracat conta que atualmente a agricultura perdeu espaço na economia da cidade para a industrialização, principalmente no setor de eletro-eletrônico.

Em Garça, o produtor investe, em média R$ 320,00 na produção de cada saca, mas o preço de comercialização não alcança R$ 250,00, prejuízo médio de R$ 70,00 por saca. “Para piorar a situação, a produção da próxima safra deveria ser maior. Devemos produzir 300 mil sacas de café em Garça e 500 mil na região, quando o esperado era produzir pelo menos 400 mil e 600 mil sacas respectivamente”, revela o presidente. “A queda de pelo menos 20% na produção está relacionada aos problemas climáticos. Tivemos excesso de chuva, o que causou alteração fisiológica da planta e a florada foi menor”, complementa.

Cooperativa

Em 2005, a Garcafé entrou em processo de liquidação, após a constatação, por meio de auditoria, de uma dívida com valor aproximado de R$ 65 milhões – grande parte relacionada ao Tesouro Nacional, referente ao não repasse do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de contribuições descontadas de seus funcionários, inadimplência de contratos fechados com a União por meio do Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa) e Programa de Revitalização de Cooperativas de Produção (Recoop), além de dívidas com fornecedores e cooperados que aceitaram proposta da Diretoria de Armazenagem de Café a custo zero, mas tiveram seus cafés vendidos e não liquidados.

O patrimônio da Cooperativa está avaliado em aproximadamente R$ 18 milhões, o que representa um patrimônio líquido negativo de cerca de R$ 47 milhões. Caso não haja sucesso no julgamento de três processos que a Garcafé move junto ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, esse valor deverá ser arcado pelos 1.035 cooperados que compõem o quadro associativo – isso representa um montante de R$ 45,5 mil para cada um.

Diante do cenário, o prefeito de Garça, Cornélio Marcondes (PR), pediu apoio ao deputado federal Nelson Marquezelli (PTB), da bancada ruralista. Para isso, foi formada a comissão liquidante. “Já que a cooperativa tem dívida com a União, mas também tem um montante a receber, trabalhamos na tentativa de fazer um encontro de contas. Desta forma, podemos reativar a Garcafé”, explica Lopes.

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